terça-feira, 5 de maio de 2015

Ponto e Contraponto


Lemos recentemente na Folha o artigo de Aécio Neves, intitulado "E os Correios"

Neste último dia 1º de maio, a Folha trouxe, em resposta, o artigo do Presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, intitulado "Os Correios cumprem seu papel".

Os mencionados artigos trazem visões distintas sobre os Correios e a ADCAP entende que seja importante refletir sobre alguns dos pontos abordados.

A ADCAP respeita os técnicos do TCU e entende que, independentemente de ter ou não havido julgamento pelos ministros do tribunal, é fato gravíssimo que os técnicos tenham enxergado problemas na atuação dos Correios durante as eleições presidenciais. Os Correios são uma infraestrutura muito importante para o Governo Federal nas eleições e não pode estar sob suspeição. Assim, se é importante observar que não houve ainda julgamento pelos ministros do tribunal, por outro lado não se pode considerar que o assunto é menor por se tratar apenas de parecer de técnicos.

A utilização de premiações recebidas pela Empresa como prova de que a instituição vai bem é algo com o que a ADCAP não concorda, porque historicamente a Empresa sempre recebeu muitos prêmios, por sua atuação simpática à população e pelo profissionalismo de seus trabalhadores. Na atualidade, há muitos flancos a descoberto na Empresa, decorrentes especialmente de problemas de gestão e, mais especificamente, de gestão de pessoas, que são gravíssimos e que afetam seriamente a qualidade dos serviços da Empresa. O altíssimo e crescente volume de reclamações, que já supera a marca de 1 milhão/mês,  e as inúmeras matérias negativas trazidas diariamente pela mídia estão aí para demonstrar que o momento atual não é de melhoria, mas sim o contrário. Basta comparar o volume de reclamações nos últimos quatro anos e se observará essa curva claramente. A multa de R$ 8 milhões aplicada recentemente aos Correios no Espírito Santo, por má qualidade na prestação dos serviços, é a materialização mais concreta desse quadro.

Outra questão abordada superficialmente nos artigos é o aparelhamento político da Empresa. A ADCAP enxerga nesta questão um dos mais graves problemas da Empresa neste momento e a origem da maioria dos demais problemas. Dos nove integrantes da Diretoria Executiva, somente um é funcionário de carreira. As iniciativas capitaneadas pela área de gestão de pessoas para abrir portas ao aparelhamento político foram responsáveis por um processo de desprofissionalização sem precedentes nos Correios, que tem desmotivado as pessoas e deteriorado os processos empresariais. Que outra empresa estatal tem um Vice-Presidente de Gestão de Pessoas que faz questão de se cercar de pessoas trazidas de fora (com aumentos significativos dos salários de origem), humilhando os técnicos do quadro próprio da Empresa, que são encostados para abrir caminho aos paraquedistas? Além disso, empregados foram alçados a funções de gestão sem possuírem as habilidades e competências necessárias para desempenharem bem as novas atribuições.  O que os membros da Diretoria Executiva, os trazidos por cessão de outros órgãos e os empregados que "cresceram" na empresa têm em comum: todos são do mesmo partido político do governo.

E quanto ao POSTALIS, os trabalhadores não estão nada satisfeitos com a explicação de que "os prejuízos são decorrentes de investimentos feitos antes de 2011".  São R$ 5,6 bilhões de déficit num fundo cujos ativos líquidos são de apenas R$ 5 bilhões! E nessa caixa preta há muito o que ser esclarecido. Entre outras coisas há que se perguntar o que fizeram, de 2011 para cá, os que lá foram colocados pela Diretoria dos Correios? Por que não corrigiram os rumos do POSTALIS, eliminando ou reduzindo os prejuízos? Por que não conseguiram sequer alcançar os objetivos atuariais não só no plano BD saldado, mas também no Postal PREV? Por que nenhum ex-dirigente do POSTALIS foi preso, condenado ou devolveu um centavo aos cofres do instituto até agora? Os trabalhadores não concordam em sacrificar mais de um quarto de seus benefícios durante mais de 15 anos para cobrir rombos produzidos por ladrões ou incompetentes. Que os verdadeiros responsáveis paguem por isso!

Quanto aos resultados dos Correios, se não há o prejuízo mencionado no primeiro artigo, também não vemos um quadro de evolução positiva, já que o lucro dos Correios caiu de cerca de R$ 1 bilhão em 2012 para cerca de R$ 300 milhões em 2013. E, em 2014, ninguém sabe o resultado porque, embora estejamos já em maio, os Correios ainda não divulgaram seu balanço de 2014! O que terá motivado esse inusitado atraso?
Os Correios certamente já estiveram melhores do que estão hoje. E a culpa por este quadro não é de seus trabalhadores, que só querem poder fazer bem seu trabalho, mas se vêem frequentemente impedidos por falhas graves na gestão da Empresa, em especial na desastrosa gestão de pessoas.

A ADCAP espera que debates como esse decorrente dos dois artigos da Folha resultem em melhorias na gestão dessa que é uma das mais importantes estruturas do Governo Federal, por sua presença nacional e por sua relevância na vida das pessoas. 

Direção Nacional da ADCAP.
NOTA URGENTE

A respeito de notícia veiculada e de e-mail encaminhado pelo Postalis aos participantes e assistidos do Instituto, contendo instruções para a impressão e pagamento de boleto referente à contribuição extraordinária do mês de abril, a ADCAP orienta aos seus associados QUE NÃO EFETUEM A EMISSÂO E O PAGAMENTO DO REFERIDO BOLETO. Ainda hoje serão emitidas orientações complementares.


Direção Nacional da ADCAP.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

POSTALIS, um “ponto fora da curva”


Duas matérias trazidas pela edição de hoje do Jornal VALOR, com links abaixo, mencionam os resultados do POSTALIS como “ponto fora da curva”, segundo a própria PREVIC – Superintendência Nacional de Previdência Complementar.

A constatação da PREVIC está em linha com o que a ADCAP vem anunciando há muito em suas comunicações – a gestão do POSTALIS não tem seguido a mesma trilha de outros grandes fundos de pensão brasileiros. Por isso e pela decisão da Empresa de não pagar dívidas passadas, temos hoje um déficit absurdo a ser equacionado.

Boa Leitura!

Direção Nacional da ADCAP.


Links para as matérias:
 

Pelo respeito aos ecetistas!


A ADCAP tem denunciado sistematicamente as ações da direção da Empresa, subsidiadas pelo Vice-Presidente de Gestão de Pessoas, para desmerecer o quadro próprio da Empresa, trazendo para posições de assessoramento superior da Empresa e elevados cargos de gestão pessoas de fora do quadro próprio, cedidas por Ministérios ou contratadas diretamente no mercado.

A prática, que afronta os próprios valores da organização, acaba trazendo consigo outros efeitos colaterais, como é o caso da caótica e deplorável situação em que se encontra atualmente a gestão de pessoas na Empresa. O feudo constituído na área, sob comando do respectivo titular, foi capaz de retardar, paralisar ou desvirtuar todos os principais processos da área. Não temos mais concurso público para repor vagas que surgem diariamente nas áreas operacionais da Empresa e a qualidade de nossos serviços, principal marca da atuação da Empresa, vai descendo ladeira abaixo, como demonstra o volume de reclamações, já superior a um milhão/mês. Nossos técnicos não enxergam mais perspectivas de carreira, pois os processos de recrutamento interno não acontecem. A formação de técnicos, antes um processo estruturado e bem feito, é banalizada. A meritocracia vai sendo esquecida, substituída pelo absurdo “quem indica”, viabilizado por flexibilizações e alterações de norma conduzidas com o viés de “facilitar as coisas para os companheiros”. O Postalis tira o sono dos trabalhadores, aposentados e respectivas famílias, com um absurdo equacionamento, e o Postal Saúde precariza o principal benefício dos trabalhadores. Enfim, um caos que só interessa a quem não se preocupa com o futuro da Empresa, mas tão somente com a ocupação de espaços por escolhidos.

A ADCAP continuará a denunciar, em todos os fóruns, esse absurdo que acontece na Empresa, até que o Governo Federal perceba o desserviço que faz ao País e aos brasileiros ao manter uma situação assim numa de suas principais estatais.

A ADCAP entende que os trabalhadores que fizeram concurso público para o cargo que exercem, que lutaram durante anos para construir suas carreiras, que acreditaram num projeto de estatal eficiente e bem administrada, merecem líderes que saibam valorizar a cadeira que ocupam e respeitar a qualidade do quadro próprio da Empresa.

A ADCAP espera que deixe de ser rotina encontrar no Diário Oficial da União notícias como a transcrita abaixo, tratando de prorrogação de cessão de servidores de outros órgãos que vêm para a Empresa engordar seus contracheques em posições de Analista XI, XII ou XIII ou até de Chefia de Departamento.

Isso tem que acabar, por respeito aos ecetistas!

Direção Nacional da ADCAP.

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MINISTÉRIO DA SAÚDE
GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA No- 495, DE 30 DE ABRIL DE 2015
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso de suas atribuições legais, e considerando o disposto no art. 93 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, com a redação dada pelo art. 22 da Lei nº 8.270, de 17 de dezembro de 1991, e na alínea "b", inciso I do item 2 da IN/SAF nº 10/93, resolve prorrogar por 1 (um) ano a cessão da seguinte servidora, pertencente ao Quadro de Pessoal deste Ministério, na forma abaixo indicada:
Nome: HELOISA MARCOLINO
Cargo: Administrador, Classe S, Padrão III
Matrícula no SIAPE nº: 0225166
Para: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT
Cargo a ser ocupado: Analista XI
Responsabilidade do ônus: órgão cessionário (art. 93, § 1º , da Lei nº 8.112/ 90)
Processo nº 25000.015770/2013-19
ARTHUR CHIORO
TJDFT suspende a liminar contra o equacionamento do plano BD do POSTALIS


30/04/2015 


A Desembargadora Gislene Pinheiro de Oliveira suspendeu a liminar que havia sido obtida pela ADCAP para evitar o desconto do valor alusivo ao equacionamento do plano BD do Postalis.

Os advogados da ADCAP já estão estudando a decisão e continuam preparando outras medidas jurídicas alusivas ao equacionamento.

Manteremos os associados informados a respeito da evolução do assunto.



Direção Nacional da ADCAP.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

1º de maio - Dia do Trabalho


No dia 20 de junho de 1889, durante a Segunda Internacional Socialista, realizada em Paris, foi instituído o “Dia do Trabalho”, para homenagear os trabalhadores mortos durante conflito com a polícia da cidade de Chicago, três anos antes. Desde então, o “Dia do Trabalho” é um dia dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios.

Neste 1º de maio de 2015, “Dia do Trabalho”, os trabalhadores dos Correios têm poucas razões para comemorar, afinal enfrentam uma série de problemas que os afligem e tiram o sossego de suas famílias.

Os trabalhadores têm sim diversas razões para se manifestar e para reivindicar melhorias.

A situação do seu fundo de previdência - POSTALIS é certamente uma das que mais preocupa os trabalhadores dos Correios e a que tem mobilizado a maior parte dos esforços e da atenção de suas representações de classe nos últimos meses. A liminar obtida, suspendendo o pagamento do equacionamento pelos participantes da Associação dos Profissionais dos Correios - ADCAP, foi uma vitória importante, que motiva ainda mais a associação a concentrar esforços para buscar a responsabilização da patrocinadora pelo equacionamento do brutal déficit de 5,6 bilhões apontado ao final de 2014.

Além do POSTALIS, o desmonte da ECT e diversos outros temas relacionados à gestão de pessoas na Empresa têm preocupado seriamente os trabalhadores dos Correios e ensejado medidas da ADCAP em diversas esferas.

Entre os incontáveis problemas produzidos pela má administração da área de Gestão de Pessoas dos Correios, podem ser destacados alguns, para ilustrar o preocupante quadro presente:

- aviltamento de funções e desrespeito aos valores estabelecidos na identidade corporativa da Empresa, especialmente a meritocracia, com a atribuição de funções de analistas XI, XII e XIII a pessoas de fora do quadro da Empresa, em detrimento de profissionais do quadro próprio, devidamente habilitados e admitidos regularmente, pela porta da frente do concurso público para os cargos previstos no Plano de Cargos dos Correios;
- inexistência de recrutamento interno, impedindo que os trabalhadores possam desenvolver suas carreiras;
- mudanças de normas sobre temas ligados aos trabalhadores, sem nenhuma transparência;
- falta de concurso público para reposição de pessoal - já são mais de 5.000 vagas operacionais abertas -  sobrecarregando os trabalhadores em inúmeras unidades e afetando diretamente a qualidade dos serviços, as condições de trabalho e a saúde dos profissionais;
- precarização do principal benefício – assistência médica-hospitalar e odontológica, em função de gestão incompetente da Postal Saúde;
- clima organizacional deteriorado pela insegurança do ambiente de trabalho, com assaltos, boatos de demissão e falta de materiais básicos para o desempenho das atividades.
 
Nesse quadro, a ADCAP entende que:

a)      indicações político-partidárias, compadrios e amizades não deveriam ser praticadas em nenhuma organização empresarial e, menos ainda, se sobrepor aos valores básicos de uma empresa estatal que tem como missão maior servir a coletividade;
b)    a área de Gestão de Pessoas dos Correios não deveria ser administrada por amadores, nem conduzida com viés político-ideológico, e, menos ainda, transformada num repositório para recebimento de pessoal externo, resultando  num lastro de inoperância que impede a Empresa de se desenvolver e de cumprir bem seu papel;
c)      esse quadro não pode continuar, sob pena de a Empresa ficar inviabilizada como empreendimento, pois não se quer a repetição do caos que caracterizou o antigo Departamento de Correios e Telégrafos - DCT em seus piores momentos, nos anos sessenta, quando ficou conhecido como um grande cabide de empregos políticos, situação resolvida com a criação da ECT em 1969.

A ADCAP espera que nos próximos anos possa, no “Dia do Trabalho”, comemorar com seus associados a existência na Empresa de processos de Gestão de Pessoas bem construídos e que contem com liderança técnica, lógica, bem estruturada, competente e confiável, de forma que as pessoas possam se concentrar apenas em desenvolver bem seu trabalho.

 
Os trabalhadores dos Correios e a sociedade brasileira merecem! 


Direção Nacional da ADCAP.
Por solicitação do Postalis, justiça exclui da liminar não associados da ADCAP


Transcrevemos a seguir matéria do Correio Brasiliense, a respeito do pedido de reconsideração e do agravo de instrumento apresentados pelo Postalis para contestar a decisão liminar obtida pela ADCAP.

Os advogados da ADCAP acompanham o caso e preparam as demais medidas que serão apresentadas à justiça, buscando responsabilizar a patrocinadora pelo equacionamento do fundo BD do Postalis.

Manteremos os associados sempre informados a esse respeito.
 
Direção Nacional da ADCAP.
 
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Justiça determina que participantes do

Postalis cobrirão rombo de R$ 5,6 bi


Correiobraziliense
29/04/2015

 
Após suspender o pagamento de contribuições adicionais dos participantes do Postalis, a juíza do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) Ana Carolina Ferreira Ogata acatou parcialmente um recurso apresentado pelo fundo de pensão dos empregados dos Correios. Em decisão proferida na noite de ontem (28/04), a magistrada determinou que somente os filiados a Associação dos Profissionais da estatal (Adcap) – autora da ação inicial – deixarão de fazer os pagamentos extras para cobrir o rombo de R$ 5,6 bilhões.

O Postalis ainda ingressou com um agravo de instrumento que será julgado pela desembargadora do TJDFT Gislene Pinheiro. Procurado pelo Correio, o fundo de pensão dos empregados da estatal esclareceu que como a folha de pagamento dos Correios já foi processada, não há como incluir o pagamento de contribuições adicionais no contracheque de abril. O desconto seria o primeiro dos 186 mensais previstos.

O Postalis ainda informou que a diretoria executiva discutirá qual será a melhor forma de resolver a questão, pois aguarda a apreciação do agravo. Pelas estimativas da entidade fechada de previdência complementar, 99.304 participantes deveriam fazer contribuições adicionais descontadas em folha de pagamento nos percentuais de 25,98% do benefício complementar dos participantes e 34,98% dos benefícios recebidos pelos assistidos.

Do total de participantes que deveriam fazer as contribuições adicionais, 71.154 são ativos, 4.443 aguardam a concessão do benefício, 17.147 são aposentados e 6.565 são beneficiários. Nas contas do Postalis, como 5.041 são associados a ADCAP, o número de participantes que deveriam fazer as contribuições adicionais a partir da determinação do TJDFT cairia para 94.268. Procurada pelo Correio, a Adcap detalhou que continuará acompanhando o assunto.

Entenda o caso

Na última quinta-feira (23/04), a Justiça suspendeu o pagamento de contribuições adicionais dos participantes do Postalis, fundo de pensão dos Correios, para equacionamento de déficit de R$ 5,6 bilhões. A ação protocolada pela Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP) foi deferida pela juíza Ana Carolina Ferreira Ogata, da 1ª vara cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal de Territórios (TJDFT).


A magistrada acatou os argumentos dos participantes do Postalis que afirmam que há indícios de que o déficit tem origem em atos de má gestão de investimentos. Entretanto, o parecer da juíza não altera os aportes que os Correios terão de fazer para cobrir o rombo no plano de benefícios definidos da entidade fechada de previdência complementar.