segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Adcap Net 24/08/2020 - Greve, Comércio Eletrônico e Intenção de Privatização - Veja mais!

STF mantém decisão de Toffoli sobre acordo de reajuste de funcionários dos Correios

Com essa derrota, os trabalhadores da estatal devem continuar em greve por melhoria de benefícios

Valor
21/08/2020

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter uma decisão que suspendeu cláusulas de um acordo sobre reajuste fechado com funcionários dos Correios pela Justiça do Trabalho no ano passado. A decisão representou uma derrota para os trabalhadores, que esperavam um posicionamento da Corte para definir se permaneceriam em greve. Agora, a paralisação deve continuar.

Em outubro de 2019, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que o acordo teria duração de dois anos, mas, ainda no ano passado, o presidente do STF, Dias Toffoli, concedeu liminar à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), suspendo a decisão do TST.

Na prática, a decisão faz com que o acordo tenha validade só por um ano e, como este prazo terminou em agosto, a categoria vai ter que fazer uma nova rodada de negociação ainda em 2020.

Em julgamento do plenário virtual, a maioria dos ministros já se posicionou a favor de manter a decisão de Toffoli. Os ministros têm até às 23h59 desta sexta-feira (21) para se manifestar.

Até agora, votaram nesse sentido, além do presidente do STF, os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

A expetativa era de que a greve poderia chegar ao fim, caso o STF suspendesse a liminar e prorrogasse por mais um ano as cláusulas decididas na negociação de 2019, mantendo todos os benefícios previstos.

O vice-presidente Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Marcos César Alves Silva, criticou a decisão do Supremo, especialmente pelo fato de a Corte ter cassado uma decisão do TST. “Vai criar um caos social, são pessoas humildes, a maioria. São benefícios que completam o salário e são muito importantes”, disse.

Ele também afirmou que as entidades que representam os funcionários dos Correios devem se reunir no fim de semana para deliberar sobre a continuidade da greve. Para ele, o fato de ter que ser realizada uma nova rodada de negociação este ano será prejudicial para os trabalhadores, porque não há diálogo com o governo.

Sindicatos falam em risco de ‘perseguição’

Entidades que representam empregados de estatais rebatem tese da Procuradoria-Geral da República para permitir novas demissões

Estadão
24/08/2020

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) – que deve decidir em breve se as empresas públicas podem dispensar funcionários sem motivação formal – é acompanhado de perto pelos sindicatos que representam categorias que estão entre as mais fortes do País. Para eles, trabalhadores que entraram nas estatais e nas sociedades de economia mista o fizeram por concurso público, uma modalidade de seleção que visa a assegurar a isonomia e a impessoalidade.

Por isso, o caminho inverso, ou seja, a demissão, também precisaria preservar esses princípios, diz o advogado Alexandre Simões Lindoso. Ele atua para a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) – que representa empregados da Eletrobrás – e para a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

“Há que se ter justificativa pautada no interesse público para haver desligamento de trabalhadores. Senão, abre-se possibilidade para que um chefe se vingue de um funcionário que descubra alguma irregularidade ou substitua um trabalhador mais qualificado por um amigo. Vários motivos, não os mais nobres, podem dar ensejo a atos que não tenham fundamento na primazia do interesse público”, afirmou Lindoso.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf/CUT), Juvandia Moreira, avalia que a demissão sem motivo pode gerar perseguições políticas e ideológicas de funcionários. “A demissão já é possível quando há falta grave, mas não pode ocorrer porque o chefe não gosta de você. Esperamos que o STF tenha bom senso, diante da situação que o País vive”, disse ela.

Para Juvandia, os bancos públicos não precisam de mais liberdade para demitir empregados. Segundo ela, mais de 30 mil funcionários deixaram as instituições financeiras nos últimos anos. “A falta de empregados se reflete na piora dos serviços. Basta ver as enormes filas na Caixa relacionadas ao pagamento do auxílio emergencial.”

Entre os empregados da Petrobrás, também há apreensão em relação ao julgamento, diz o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

Para ele, a dispensa deve ser justificada para impedir que o governo use seu poder para fazer indicações e transformar as empresas em um “cabide de empregos”.

“É óbvio que o parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) tem o intuito de ajudar o governo no processo de privatizações. Esperamos que o STF atue de acordo com sua missão, que é a de resguardar a Constituição”, disse Bacelar. A venda de estatais e subsidiárias é uma das principais preocupações da FUP. Quando a Petrobrás vendeu a BR Distribuidora, 700 empregados foram dispensados, segundo ele. Quem permaneceu na empresa, perdeu parte da renda e teve de migrar para um plano de saúde considerado inferior, acrescentou Bacelar. 

Procurador-geral aponta ressalvas
O parecer do procurador-geral Augusto Aras autorizando as demissões sem justa causa nas estatais tem uma ressalva. Para ele, estatais que atuam em regime de monopólio ou responsáveis pela execução de políticas públicas têm a obrigação de motivar demissões em ato formal. Essas empresas teriam “privilégios decorrentes do interesse público que motiva o monopólio” e “restrições de direito público próprias da administração”. Por essa análise, poucas empresas teriam de justificar demissões – entre elas, os Correios, detentores do monopólio postal; Eletronuclear, Nuclep, INB e Amazul, relacionadas ao setor nuclear; e Casa da Moeda, única autorizada a fabricar dinheiro.

Para Lindoso, mesmo os Correios atuam em regime concorrencial na área de encomendas. Esse entendimento concederia status diferenciado para empregados de uma mesma empresa.

No caso específico dos Correios, o STF decidiu, em 2018, que as demissões precisam ser motivadas por ato formal. Não é necessário um processo administrativo, mas uma justificativa que possibilite ao empregado contestá-la. Ainda assim, a categoria acompanha o processo relacionado ao BB pelo caráter de repercussão geral. 

Mercado Livre contrata 60 carretas para entregas e terá mais 90 até dezembro

Money Times
21/08/2020

O Mercado Livre contratou nesta semana 60 carretas para ajudar nas entregas de encomendas, à medida que o maior portal de comércio eletrônico da América Latina busca meios para dar vazão ao aumento expressivo das operações devido à pandemia do coronavírus e depender menos de terceiros.

Os caminhões com capacidade média para transportar em média 5 mil pacotes cada serão usados entre os 3 centros logísticos do Mercado Livre no país (dois em São Paulo e 1 na Bahia) e centrais menores para Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul e mesmo cidades no interior paulista.

Até agora, a empresa usava os caminhões de forma avulsa e, com a manutenção do elevado nível de encomendas decidiu “envelopar” os veículos com as cores e o logotipo da companhia, resultado de contratos firmados nesta semana para operação dedicada.

“Até o fim do ano, devemos estar operando com cerca de 150 dessas carretas”, disse Leandro Bassoi, vice-presidente do Mercado Envios, braço de logística do Mercado Livre, à Reuters.

Segundo o executivo, os caminhões são contratados de pequenas empresas de logística espalhadas pelo país. Não há planos do Mercado Livre de ter uma malha própria, disse ele.

O movimento ocorre em meio à forte expansão do comércio eletrônico, acelerada desde março com o fechamento do varejo físico pelas medidas de isolamento social.

A transportadora Braspress acertou no início do mês a compra de 235 caminhões extra-pesados da Mercedes-Benz para atender demandas de clientes do comércio eletrônico. E o Grupo Vamos anunciou na segunda-feira a compra de 1.350 caminhões da Volkswagen, o equivalente a cerca 10% de sua frota atual de aluguel de veículos comerciais de 14 mil unidades.

Gigantes como Mercado Livre e Magalu driblam a dependência dos Correios

A greve dos Correios pode afetar entregas no comércio eletrônico, mas as gigantes varejistas desenvolveram nos últimos anos sua própria estrutura logística

Exame
18/08/2020

A pandemia e o aumento do comércio eletrônico pressionaram toda a cadeia logística – incluindo os trabalhadores dos Correios. Com aumento da demanda e sem medidas adequadas de proteção e higiene, cerca de 100.000 funcionários da estatal acabaram de decretar greve.

A greve deve afetar as entregas no comércio eletrônico, já que a estatal é uma das maiores operadoras logísticas para as compras virtuais. As gigantes varejistas, no entanto, desenvolveram nos últimos anos sua própria estrutura logística, com integração com suas lojas físicas, dezenas de centros de distribuição em vários estados e até suas próprias startups e transportadoras. Como as empresas migraram para outras categorias de produtos além dos eletrodomésticos, como moda e alimentos e bebidas, ter uma estrutura ágil é essencial.

Mais recentemente, passaram a realizar essa logística também para seus parceiros de marketplace, serviço que se intensificou com a pandemia – afinal, dezenas de milhares de pequenos lojistas se voltaram às grandes plataformas para vender, com o fechamento temporário de suas lojas físicas. Essa estrutura aumenta a eficiência das varejistas e permite realizar entregas em uma fração do tempo. 

Magazine Luiza
Em função dos novos hábitos de consumo durante a pandemia, o comércio eletrônico formal brasileiro cresceu 70,4% no segundo trimestre, segundo o E-bit. No Magazine Luiza, o comércio eletrônico cresceu 182%, atingindo 6,7 bilhões de reais e 78% das vendas totais no trimestre. 

Com o fechamento do comércio, o Magazine Luiza reforçou sua estratégia de envios de produtos a partir das lojas. Com essa modalidade, cerca de 35% das entregas totais passaram a ser realizadas em até 24 horas. Para entregar os produtos de mercado, uma das categorias de maior destaque no trimestre, mais de 700 das 1.100 lojas físicas foram convertidas em pequenos estoques para essa categoria.

O parceiro de entrega, a startup Logbee adquirida há dois anos, recolhe então esses produtos nas lojas para levar às casas dos consumidores.A Malha Luiza cresceu e passou a reunir 4.000 micro transportadores e motoristas da Logbee.

O Mercado Livre, empresa mais valiosa da América Latina, chegou a 5 bilhões de dólares em produtos vendidos no segundo trimestre do ano. A rede gerenciada pela companhia em todos os países foi parte central para o crescimento do negócio de comércio eletrônico e para a capacidade de lidar com o aumento da demanda na pandemia, diz a empresa em sua divulgação de resultados. Dessa forma, o Mercado Envios enviou 157,5 milhões de itens no trimestre sem grandes problemas, alta de 124% em relação ao mesmo período do ano passado. No Brasil, a companhia abriu 18 centros de sortimento, totalizando mais de 35.

A maior parte dos itens são pagos pelo Mercado Envios, que tem uma ferramenta para cálculo e pagamento do frete e que no Brasil trabalha em parceria com os Correios. A participação do Envios é de 96% nas entregas por aqui – no total, a fatia é de 80%.

Mais do que fazer a logística de suas próprias entregas, as empresas estão oferecendo esse serviço também para os vendedores em suas plataformas de marketplace – gerenciando os estoques e envios a partir de seus próprios centros de distribuição. No Mercado Livre, empresa puramente voltada ao marketplace, esse serviço chegou a 17% do total de envios no Brasil – chegando a 20% até o final de junho. Como consequência, as entregas no mesmo dia e no dia seguinte melhoraram. Além das agências de Correio, o Mercado Livre tem 1.300 lugares em que os vendedores podem depositar as suas encomendas.

A Via Varejo chegou a 5,1 bilhões de reais em vendas totais no comércio eletrônico. No segundo trimestre, as vendas online foram responsáveis por 70% do faturamento total. Para realizar essas entregas, a empresa passou de 60 para mais de 380 mini centros de logística, que reduzem o tempo de entrega e cortaram mais de 50% no custo do último braço da logística. O plano é chegar a mais de 500 até o próximo trimestre, com presença em todas as cidades em que a Via Varejo tem presença física. 

A empresa passou a lidar com mais de 70.000 pedidos por dia no trimestre – mais de duas vezes o total de pedidos processados por dia no quarto trimestre do ano passado, mesmo com a Black Friday e o Natal. A Asap Log, startup de logística adquirida recentemente, não opera apenas as entregas da Via Varejo – 10% de suas entregas são feitas para terceiros.

A Via Varejo realizou uma oferta de ações para captar 4,4 bilhões de reais – um terço desses recursos serão destinados à tecnologia e à logística.

B2W
A Lets, plataforma de entrega da B2W, faz 30% das entregas no mesmo dia e 58% das entregas em até 48 horas, tanto para vendas próprias quanto para parceiros do comércio eletrônico. A empresa é dona da Americanas.com e Submarino.com.

Para entregas ainda mais rápidas, a empresa tem o ship from store para produtos de vendedores locais, que entrega em até 2 horas produtos a partir de 4.000 Lojas Americanas ou lojas de vendedores parceiros. 

O consumidor também pode pedir para retirar seus produtos em 9.075 pontos em todo o Brasil. Essas parcerias incluem postos de conveniência da BR Distribuidora, shoppings da BR Malls e Multiplan e 1.000 restaurantes do McDonald’s.

A partir de sua divisão de logística, a Let’s, a B2W tem 17 centros de fulfillment em oito estados. Cerca de 908 vendedores tem seus estoques operados pela plataforma, através da qual todo o processo logístico, do estoque ao transporte e atendimento, é operado pela B2W. A B2W também tem um serviço de entregas no estilo Uber: a Ame Flash tem 20.000 entregadores independentes cadastrados em 700 cidades.

O grevismo nos Correios

Privatizar a estatal é um imperativo para o futuro da ECT

Gauchazh
24/08/2020

A nova greve na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), a 10ª em nove anos, lembra uma paralisação deflagrada em 2015 pelos motoristas de táxi de Mumbai, na Índia, contra a chegada dos aplicativos de transporte. Sem os populares táxis da cidade, a população em peso passou a usar o transporte por aplicativos, em um movimento que acelerou a adoção do sistema alternativo e contribuiu para ampliar as dificuldades dos taxistas.

No Brasil, a sequência de paralisações nos Correios tem o condão de levar os usuários, entre os quais milhares de empresas, a deixar de lado a incerteza do funcionamento da estatal e se voltar para o crescente número de serviços privados de logística. Por erosão da eficiência e das greves sem fim, os Correios perderam clientes em profusão nos últimos anos. Com a pandemia, quando o comércio eletrônico registra um salto, cria-se agora mais um abismo difícil de ser revertido. Como a entrega de mercadorias não pode parar, as empresas de logística particulares ganham de presente novas fatias de mercado, realimentando ainda mais a corrente a favor da privatização dos Correios – exatamente o ponto central que a nova greve pretende combater.

Os Correios já foram uma das empresas mais confiáveis e admiradas no Brasil, a começar pela simpatia da população pela tradicional figura do carteiro. No entanto, ao longo de uma série de governos a empresa foi sendo apropriada por grupos políticos que, de um lado, estenderam aos mais de 100 mil funcionários e suas famílias benefícios impensáveis na atividade privada, como um adicional de férias de 70 % e plano de saúde que inclui pais e mães. De outro lado, foi no primeiro governo de Lula que a ECT se transformou em epicentro do episódio do mensalão. Aparelhada e ocupada por alguns dirigentes que se comportavam como salteadores, a empresa foi perdendo o brilho e o vigor, enquanto os concorrentes privados, mais leves e eficientes, avançavam celeremente no disputado território da logística.

o se eleger, o presidente Jair Bolsonaro prometeu dar curso ao processo de privatização da estatal e chegou a trocar um presidente que, com a missão de vender a empresa, logo se habituou às regalias do cargo e passou a colocar a iniciativa para escanteio. 

A atual administração conseguiu melhorar a performance econômica da empresa, que já não produz prejuízos bilionários mas ainda se confronta com a resistência ao corte de benefícios e com uma ineficiência estrutural diante de um mundo que já não depende mais de cartas para se comunicar. Apenas de março a junho, por exemplo, o Procon de São Paulo registrou um crescimento de 398,5% nas reclamações contra a empresa em relação ao ano passado.

Apesar de os Correios ainda manterem alguns serviços de razoável qualidade e de estarem presentes, por via direta ou indireta, em todos os cantos do Brasil, a velocidade de transformação imposta pela disrupção digital não é compatível com a condição da empresa como um mamute estatal que vive em um passado que não existe mais. A preparação da ECT para a venda, com largos benefícios para a sociedade, que utiliza seus serviços e é chamada a pagar a conta de suas ineficiências, é um imperativo. Contra ele levanta-se parte dos funcionários, contrariados por um saneamento financeiro que inclui a suspensão do acordo coletivo, referendado na sexta-feira pelo STF. Além de cortar benesses, é preciso transformar profundamente a empresa para a privatização e a competição no ecossistema digital.

O caso da Embraer é exemplar. Estatal, a empresa deu início à moderna indústria aeronáutica brasileira, mas nesta condição não lograva incorporar as mudanças e inovações necessárias para enfrentar a concorrência internacional, e os prejuízos foram se acumulando. Privatizada, a Embraer adotou práticas de gestão modernas, identificou novas oportunidades, desenvolveu aeronaves de reconhecida qualidade e conquistou mercados. Ganharam seus colaboradores e o resto do Brasil, que deixou de canalizar os impostos de todos para financiar eventuais prejuízos de uma empresa diante das oscilações de mercado. Aos Correios pode suceder trajetória similar à da Embraer, e até sonhar com mercados estrangeiros. Mas o governo precisa concretizar logo a privatização, porque, a cada greve, a empresa vai perdendo mais territórios em um mercado crescentemente competitivo.

Por que o projeto de privatização dos Correios não faz sentido

A greve dos trabalhadores por direitos esquenta debate sobre a venda da estatal

Brasil de Fato
23/08/2020


Há seis dias, os trabalhadores dos Correiros seguem a greve contra a retirada de direitos e risco de vida dos funcionários durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a categoria, em todo o país são cerca de cerca de 70 mil trabalhadores que aderiram a mobilização, o que representa 70% de adesão a paralisação.

Estão entre os pontos em que houve cortes: o tempo de licença-maternidade de 180 dias para 120 dias; o pagamento de adicional noturno e de horas extras; a indenização por morte; o auxílio para filhos com necessidades especiais e o auxílio-creche.

Para a categoria “o ataque aos direitos” e a redução, de forma unilateral, de 70 dos 79 pontos do acordo coletivo, após a empresa obter liminar na justiça, tem uma “linha direta” com a privatização da estatal, pautada pelo governo Bolsonaro desde o início do governo. Como explica o secretário-geral da Federação dos Trabalhadores em Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect), José Rivaldo da Silva, o objetivo por trás dos ataques seria "tornar a empresa mais leve, porque rentável já é. Mas diminuir todo o passivo trabalhista para privatizá-la, entregar à iniciativa privada a empresa mais barata, sem compromisso em assumir os correios poder demitir, pagar indenizações menores aos funcionários”.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada do governo Bolsonaro e da privatização da estatal, chegou a afirmar em um vídeo nas redes sociais crítico aos trabalhadores que antes da privatização dos Correios é preciso “melhorar para vender”.

Nesse cenário voltaram aos noticiários através de declarações do governo federal, apoiadores e mercado as intenções de privatizar a estatal. Em meio a tantas versões sobre as razões para a venda dos Correios, o Brasil de Fato se debruçou sobre algumas delas para explicar o que está em jogo no serviço postal brasileiro.

Correios não têm capacidade financeira?

O diretor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e general da reserva do Exército, Floriano Peixoto, em entrevista a revista Veja em julho desde ano afirmou:  

“Alguns benefícios estão sendo cortados porque a empresa não tem capacidade financeira nem condição de sustentar perante a sociedade a preservação deles em um momento tão difícil”

Segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clovis Scherer, os dados do relatório administrativo da empresa mostram que só em 2019 ela teve receita líquida de R$ 18,356 bilhões. E registrou lucro líquido de R$ 102,121 milhões. A empresa fechou 2019 com 99.443 funcionários, ante 105.349 no ano anterior (-5,61%).

Para ele, o resultado positivo nas contas operacionais é porque houve um bom resultado entre receitas e despesas ligadas a operação da empresa "do lado dos gastos principalmente de salários, benefícios, encargos sociais".

"Não existe nenhuma explosão de gastos, nenhum desequilíbrio, muito ao contrário. Nos últimos dois anos, temos resultados num patamar de gasto com pessoal, inclusive em cargos sociais, inalterado dentro da média histórica”, explica.

Correios dão prejuízos?

Descontado o custo dos produtos e serviços prestados, o lucro bruto aumentou em mais de R$ 200 milhões nos últimos dois anos, atingindo R$ 2,7 bilhões em 2019.

Os números contradizem também o argumento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em janeiro deste ano disse:

"Até o próprio Correios, que a gente quer privatizar, mas tem dificuldade. O monopólio, que, até o ano retrasado, deu prejuízo. A gente pretende. Se pudesse privatizar hoje, eu privatizaria”.
 
Com o aumento da demanda de compra on-line em meio a pandemia a estimativa é que a empresa tenha um lucro ainda maior este ano. De acordo com o secretário-geral da Fentect, a estatal teve um aumento do volume de entregas de mais de 30%.

Outro ponto levantado por Silva é que diferente de outras estatais, a empresa se sustenta e não é dependente do Tesouro Nacional.“O governo não põe  recursos, a produção toda feita pelos trabalhadores”, declara ele.

Impacto para os trabalhadores

Se comparado com ano retrasado, o valor de despesas com salários, honorários e benefícios cresceu apenas 0,1% em 2019, mas, segundo o levantamento do Dieese, para os trabalhadores os cortes nos direitos podem representar de 43% a 69% de rendimento no final do mês. O que para Scherer é uma liquidação do acordo coletivo, que pressupõe os benefícios como complemento do salário, em uma atitude “extremamente irracional e irrealista”.

“Além de não promover ajuste salarial causando uma perda no poder aquisitivo dos trabalhadores, elimina o anuênio, a gratificação de férias, que fica limitada a legislação que é um terço, não vai garantir o vale alimentação e/ou refeição que os trabalhadores têm hoje. Só ai gera uma perda de renda e poder de compra que ultrapassa R$ 800 para cada trabalhador”, calcula. 

Por exemplo, um trabalhador como carteiro, atendente ou operador de triagem que ganha uma média de um rendimento líquido de R$ 4.058 com esses benefícios, com a proposta da empresa o valor  líquido cairia para R$ 2.860. Uma perda só para ele de R$ 1.2 mil com a inexistência do acordo. O que significa uma renda de quase 43% na remuneração líquida desse trabalhador ou trabalhadora.

No caso de um trabalhador assistente administrativo cuja a média de remuneração bruta é R$ 2.300, a perda também é de R$ 1.200 aproximadamente, o que significa uma perda de 69% na sua remuneração líquida com esses benefícios. 

Por isso, o representante da federação reitera que a categoria não está fazendo greve por benefícios, mas pela manutenção dos direitos estabelecidos pelo acordo coletivo, inicialmente previsto para valer até 2021. Para ele o pedido é apenas que o "governo pague, o que já paga".

Ninguém lê mais carta?

 “Qual a dúvida em privatizar os Correios? Ninguém escreve mais cartas”, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao defender a inclusão da estatal no Programa de Aceleração de Privatizações (PAP).

O dirigente da Fentect afirma, no entanto, que segundo dados da empresa, que mais de 48% da receita corresponde ao monopólio postal de envio de cartas e os outros 52% a entrega de encomendas, aberta a livre concorrência.

Monopólio dos Correios

Silva já responde outro argumento utilizado frequentemente para justificar a privatização a exemplo, do que disse o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo/RS) durante audiência pública sobre os Correios:

“Uma empresa monopolista estrangula qualquer possibilidade de concorrência”

O monopólio dos Correios se limita apenas ao serviço de cartas e está previsto na Constituição para a garantia do direito ao serviço postal de todos os brasileiros. Já o serviço de encomendas, como Sedex e PAC, está aberto para o livre mercado, ainda sim, de acordo com os dados da estatal, apresenta bons resultados.

Scherer alerta que a privatização das áreas competitivas da empresa pode matar todo o conjunto de serviços que são prestados, inclusive, aqueles do monopólio. “Você não vai montar uma estrutura no Brasil inteiro para entregar carta se não tiver junto outros tipos de serviços que justamente viabilizem economicamente o funcionamento da empresa, ela não vai ter receita suficiente para arcar com a tarefa de entregar cartas no Brasil inteiro”, explica.

Logística

A questão vai de encontro a outra fala do parlamentar gaúcho: “Não é em virtude de ser estatal que as coisas chegam nos longínquos do Brasil”

O fato é que o interesse de grupos privados é apenas por agências que abrangem capitais ou grandes municípios, que apresentam serviços superavitários, deixando de lado as agências localizadas em cidades onde a atividade não é lucrativa. Mais uma vez cabe lembrar que essas localidades são atendidas exclusivamente pelos Correios e, o mais importante, sem aporte de recursos da União.

O dirigente da Fentect reitera: “A privatização para os trabalhadores é a demissão e para a população é o aumento das tarifas e não ter a certeza que quem mora em determinada regiões de poder receber o que comprar via internet, porque vai ficar muito caro e inviável você mandar encomendar por quem for operar no mercado privado, que só visa o lucro. Não tem subsídio, ou então o governo vai entregar o filé para iniciativa privada ou tentar assumir minimamente o atendimento e o direito das pessoas a ter um acesso à correspondência”.

Falta de qualidade?

Além do serviço postal, os Correios servem como banco postal, entregam vacinas, realizam o ENEM, exportam e importam, levam informação, emitem documentos, entre outros. Muitos desses serviços não geram lucros, apesar da empresa ser sim lucrativa. Contudo, mesmo assim são feitos, já que por serem uma empresa pública.

Silva destaca que a posição estratégica dos Correios na logística integrada no país inteiro ficou evidente na pandemia e pode, inclusive, ser um diferencial na distribuição da vacina da doença, por exemplo.

Em 2019 a empresa ganhou o Prêmio ABComm de Inovação Digital 2019, um dos mais relevantes do e-commerce brasileiro, organizado pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) e em 2020, venceram o World Post & Parcel Awards, prêmio internacional considerado o ‘Oscar’ dos correios de todo o mundo.

Para a categoria, o resultado poderia ser bem melhor não fosse o enxugamento da empresa que diminui e envelhece a estrutura física, prejudica as condições de trabalho, derruba a qualidade quanto a rapidez e garantia das entregas. Desde 2011 não há concurso e contratação e ano passado o general Floriano Peixoto chegou a comandar um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Mas a quarentena imposta pela pandemia criou condições para o lucro crescer ainda mais, visto que o comércio eletrônico e o volume de encomendas cresceram.

“Galinha dos ovos de ouro”

Ano passado o total de receitas, 22,1% vem de serviços de Sedex e 21,3%, do PAC. Havia 11.124 unidades de atendimento, sendo 6.071 agências próprias e 5.053 terceirizadas. Para o economista a área das encomendas é justamente onde a empresa mostra que é competitiva e pode ser “a galinha dos ovos de ouro”.

“Nós temos bons números principalmente no segmento de encomendas, que é muito rentável. A empresa tem uma operação lucrativa no segmento de encomenda e também na logística. Isso é fundamental, principalmente, agora que nos vamos observar todo esse desenvolvimento do comércio digital. É um momento que tem interesse econômico em comprar a empresa pode pegar uma galinha dos ovos de ouro”, pontua Scherer.

Guedes no mesmo pronunciamento acaba evidenciando que há grande interesse no mercado na empresa:

“Por que tem que demorar tanto? Tem oito caras querendo comprar [os Correios]” - disse.

O interesse se dá porque os Correios executam uma atividade estratégica e comércio digital cresce em importância, como avalia o representante do Dieese. “Entregar a logística do Brasil com seu principal operador a um agente privado é uma decisão que tem que ser ponderada do ponto de vista estratégico do futuro. O Estado brasileiro perderia completamente a capacidade de influenciar uma cadeia que no futuro vai ser tornar predominante pelas tendências que já estamos vendo, como a Amazon”, ressalta.

Outros países fizeram movimentos no sentido de fortalecer e expandir a atuação das suas empresas postais, inclusive, com atuação internacional e não enfraquecer. Por exemplo, França, Holanda e a Argentina, que reestatizou o serviço postal.

Não a toa, o dirigente sindical enfatiza que a luta contra a privatização faz parte da luta dos trabalhadores. “É uma empresa que pode ser gigante no Brasil, não pode abrir mão de uma empresa dessa”. Na rede representantes da categoria e diversas organizações, puxam o movimento, definido como suprapartidário, Correios, orgulho de um país inteiro em defesa da estatal.  


 

Direção Nacional da ADCAP.

domingo, 23 de agosto de 2020

ADCAP INGRESSARÁ COM AÇÃO NA JUSTIÇA PARA MANTER LICENÇA MATERNIDADE POR 180 DIAS

Diversas associadas que estão em licença maternidade, iniciada até 31/07/2020, na vigência do ACT 2019/2021, e que estão sendo convocadas para retorno ao trabalho após 120 dias, consultaram a ADCAP sobre a obrigatoriedade de retorno, especialmente em razão de serem lactantes e do estado de pandemia.

Considerando as situações relatadas e a gravidade e risco à saúde das mães e dos seus filhos recém-nascidos, a ADCAP deliberou ingressar com ação para proteger e fazer valer o direito dessas associadas. Para tanto, solicitamos que as associadas que se encontram nessa situação enviem e-mail para o endereço apoiojuridico@adcap.org.br, com os seguintes documentos e informações:

1. Qualificação completa para fins de ação (nome, estado civil e endereço)
2. Cópia do Documento de Identidade e de Comprovante de Endereço
3. Comprovação de vinculo empregatício com a ECT (cópia da CTPS - folha com foto e da contratação)
5. Pedido de licença maternidade e respectiva concessão
6. Certidão de nascimento do bebê
7. Cópia do documento de Convocação da empresa para o retorno ao trabalho
8. Pedido de permanência na licença e respectiva negativa (se houver)
9. Breve relato das dificuldades em virtude do retorno ao trabalho em pandemia (rotina diária, local de amamentação; local para levar o bebê; deslocamento casa - trabalho etc)

Dúvidas poderão ser esclarecidas pelo mesmo endereço de e-mail.



Direção Nacional da ADCAP.

GREVE - POSIÇÃO DA ADCAP

A ADCAP, como entidade, sempre se esforça para tentar evitar a greve, pois entende que se trata de uma medida extrema e muito danosa. É com este espírito que a ADCAP dialoga com as entidades sindicais e, quando possível, procura estabelecer pontes para a solução de impasses.

No caso do atual movimento, não tivemos êxito, pois a completa falta de diálogo por parte da direção da Empresa e a sua determinação em retirar de uma vez parte significativa da remuneração e dos benefícios dos trabalhadores em plena pandemia acabou levando as representações sindicais a não enxergarem outra alternativa senão a greve.

A Associação entende que a decisão de entrar ou não em greve é de cunho estritamente pessoal, pois envolve custos e riscos que afetam cada um de forma distinta.

Nesta situação, em que as perdas impostas aos empregados são bastante significativas, nossos advogados permanecem atuando junto aos das duas federações para buscar mecanismos legais que possam assegurar a remuneração dos trabalhadores, contribuindo, assim, para o encerramento do movimento de greve, que é sempre danoso para todos.

 


Direção Nacional da ADCAP.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

FGTS – AUSÊNCIA DE CRÉDITO DAS PARCELAS 1 E 2

Nº 104 – 20/08/2020

Conforme noticiamos anteriormente, a ADCAP recebeu informação de associados a respeito da ausência de crédito em suas contas do FGTS das 1ª e 2ª parcelas, do valor que deixou de ser recolhido pelos Correios em função da MP-927/2020.

Apesar da indagação formal feita pela Associação à direção da Empresa, não recebemos nenhuma resposta até o momento.

Diante do ocorrido, que se soma a outros eventos característicos desse período de trevas nas relações trabalhistas da Empresa, a ADCAP informa que não tratará mais desse tema administrativamente e que já passou o assunto para seus advogados avaliarem, afinal os prejuízos para todos os trabalhadores são evidentes e o silêncio por parte da administração sobre o assunto, por si só, já constitui um ato de completo desrespeito, inapropriado em qualquer organização. 

 

 

Direção Nacional da ADCAP.

AS FAKE NEWS SOBRE OS CORREIOS


Algumas mentiras circulam no país, emanadas de integrantes do próprio governo e disseminadas por apoiadores que, por desconhecimento ou propósito ideológico, repercutem tais informações fazendo um desserviço à sociedade.

E, como a direção da Empresa, para não desagradar o seu chefe, não se defende, não se comunica e não mostra a realidade à sociedade, a ADCAP aponta a seguir algumas das principais FAKE NEWS que andam espalhando por aí:

Os Correios dão prejuízo ao País

É FAKE NEWS! Para comprovar, basta levantar os repasses feitos pelos Correios para o governo federal (dividendos) e os recebidos de lá nos últimos anos. Um repórter ou parlamentar que queira os detalhes pode pedir essas informações ao Tesouro Nacional e constatará que o saldo é bilionário e favorável aos Correios, que injetaram bilhões no Estado e não o contrário.

Os Correios cobram caro por seus serviços

É FAKE NEWS! Basta uma simples comparação nas opções de fretes oferecidas no comércio eletrônico e se constatará que, apesar de a entrega de encomendas ser totalmente liberada no país, os preços praticados pelos Correios em geral são bem menores que os das empresas privadas.

Os serviços dos Correios não têm qualidade

É FAKE NEWS! O volume de ocorrências de problemas de qualidade nos Correios não é diferente do que ocorre no mercado, onde as transportadoras privadas também enfrentam problemas para concluir bem seus serviços. A diferença é a escala: nos Correios são bilhões de objetos transportados e entregues.

Na realidade, os brasileiros, incluindo governantes, parlamentares e imprensa, poderiam se orgulhar de haver no Brasil uma empresa pública de Correios que consegue, com seus próprios recursos, chegar a todos os municípios, levando os benefícios da comunicação escrita e do comércio eletrônico aonde nenhuma outra empresa quer ir.

 


Direção Nacional da ADCAP.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Adcap Net 19/08/2020 - Greve, Comércio Eletrônico e Operação Greenfield x BNY Mellon - Veja mais!

Projeto que põe fim ao monopólio postal dos Correios deve ser enviado nas próximas semanas

Informação foi dada pela secretária do PPI, Martha Seillier; segundo ela, medida é necessária para privatizar Correios. Funcionários da estatal entraram em greve e são contra privatização.

G1
18/08/2020

A secretária do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Ministério da Economia, Martha Seillier, afirmou nesta terça-feira (18) que o governo federal deve encaminhar nas próximas semanas um projeto ao Congresso Nacional para acabar com o monopólio dos Correios nos serviços postais.

Martha Seillier deu a informação ao participar de uma videoconferência, organizada por uma instituição financeira. Segundo a secretária, o envio do projeto é um dos passos para o processo de privatização dos Correios.

"O governo está trabalhando junto o ministro Fábio Faria [Comunicações] e com o Ministério da Economia na finalização desse projeto de lei para encaminhar ao Congresso Nacional uma regulamentação de como esse serviço pode vir a ser prestado por um parceiro privado ou por alguns parceiros privados", declarou.

"Esse projeto deve seguir [ao Legislativo], esperamos, nas próximas semanas", acrescentou.

Os Correios estão na lista de estatais a serem privatizadas. O Ministério da Economia aponta como motivos para privatização: corrupção, interferências políticas na gestão da empresa, ineficiência, greves constantes e perda de mercado para empresas privadas na entrega de mercadorias vendidas pela internet.

Nos estudos para a venda da estatal, o Ministério da Economia aponta o rombo de R$ 11 bilhões no fundo de pensão dos funcionários, o Postalis.

Além disso, o Postal Saúde, o plano que atende aos funcionários, tem um rombo de R$ 3,9 bilhões.

Greve
Nesta segunda-feira (17), a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) decidiu entrar em greve.

Segundo a entidade, não há prazo para o fim da paralisação. De acordo com a federação, os grevistas são contra a privatização da estatal, reclamam do que chamam de "negligência com a saúde dos trabalhadores" na pandemia e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.

Investimentos em infraestrutura
A secretária especial do PPI do Ministério da Economia também afirmou que o país, para continuar crescendo, precisa de investimentos em infraestrutura.

"E sabemos que eles não virão do lado público do orçamento. Mesmo antes da crise do coronavírus, o orçamento de infraestrutura total [da União] não ultrapassava R$ 20 bilhões para este ano", acrescentou ela.

De acordo com Martha Seillier, como há "muita demanda" por investimentos em infraestrutura no país, o desafio "gigantesco" é realizar essa substituição por recursos privados.

Segundo ela, o trabalho para substituição dos investimentos públicos por privados não "supre" a pressão existente por mais recursos orçamentários. "Por isso a gente assiste todos os dias essas disputas na imprensa. É natural essa demanda da população por serviços e a dificuldade em avançar com parcerias em algumas áreas", avaliou.

Nesta segunda-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo vai fazer remanejamento de recursos a fim de criar as condições para que sejam feitos investimentos públicos sem "furar" o teto de gastos (regra que limita o crescimento das despesas da União).

Para o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, Felipe Salto, a manobra fiscal poderia abrir uma espécie de “caixa de pandora”, em referência ao artefato que, segundo a mitologia grega, continha todos os males do mundo. "Se você começa a fazer esse tipo de contabilidade, que pode até começar a ensejar discussões, como a gente teve no passado, de contabilidade criativa, isso começa a ser um caminho perigoso”, afirmou, em entrevista à GloboNews.

Entrega no prazo cai na pandemia e Correios têm alta em reclamações

Estatal pagou pelo menos R$ 782 milhões em indenizações por extravios desde 2016

Valor
19/08/2020


O principal indicador de qualidade dos Correios, que enfrentam greve desde ontem, sofreu um tombo desde o início da pandemia. A queda coincide com o crescimento do comércio eletrônico no período. O Índice de Entrega no Prazo (IEP), criado para medir atrasos e extravios nos serviços postais, estava em 97,16% em janeiro - perto dos níveis mais altos já atingidos - e foi diminuindo até chegar a 92,16% em junho.

Paralelamente, há uma aceleração das reclamações de clientes. O sistema nacional de defesa do consumidor do Ministério da Justiça, que reúne queixas protocoladas nos Procons estaduais, somava 5.457 atendimentos relacionados aos Correios até ontem. Esse número supera o que foi registrado ao longo de todo o ano passado (4.890) e, mantido o ritmo até dezembro, poderia se aproximar do recorde verificado em 2018 (10.120 reclamações).

Os dados foram obtidos pelo Valor em relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), por meio da Lei de Acesso à Informação e a partir de consultas à própria estatal. Eles demostram ainda que, nos últimos quatro anos e meio (desde 2016), houve
pagamentos de pelo menos R$ 782 milhões em indenização a clientes por extravio de objetos postados.

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve, por tempo indeterminado, como protesto pelo corte de benefícios “extra-CLT”. Segundo a estatal, ontem houve adesão de cerca de 15% dos quase 100 mil empregados em todo o Brasil. A diretoria da estatal pretende economizar R$ 600 milhões anuais com a retirada de 70 cláusulas do acordo coletivo, incluindo adicional de 70% do salário nas férias, 180 dias de licença-maternidade, vale-peru (um tíquete de alimentação no valor aproximado de R$ 1 mil em dezembro) e até distribuição obrigatória de acessórios como joelheiras ou meias de compressão.

Com base na paralisação de 2017, que afetou 30% das áreas operacionais, os Correios estimam que cada dia de greve tem impacto financeiro da ordem de R$ 5 milhões, além de desgaste de imagem e potencial perda de contratos com clientes corporativos.

“É um tiro no pé”, afirma o deputado federal Vinicius Poit (Novo-SP), um dos mais engajados defensores, na Câmara, da privatização dos Correios. Ele lembra que, enquanto grandes grupos de comércio eletrônico e de logística investem bilhões de reais em frota própria e melhorias na capacidade de entrega das encomendas, a estatal enfrenta aumento das reclamações e sequências de prejuízos.

“Há alguma coisa de muito errado numa empresa que detém o monopólio de serviços postais e déficits na operação”, diz Poit. “É preciso derrubar o mito de que pequenos municípios vão ficar desatendidos se houver a privatização. Se chega até Coca-cola e papel higiênico em qualquer lugar do país, o mercado se ajusta.”

Para ele, a depender da extensão da greve, o controle privado dos Correios pode até angariar mais apoio no Congresso Nacional. “A resistência hoje está principalmente no Centrão, que faz o governo de refém”, acrescenta.

Os trabalhadores, que também protestam contra a proposta de reajuste salarial zero, discordam. “O governo Bolsonaro busca, a qualquer custo, vender um dos grandes patrimônios dos brasileiros”, diz José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Fentect, federação que congrega 31 sindicatos regionais e estima em 70% a adesão à greve nesta terça-feira.

A Fentect afirma que os Correios têm tido “ação negacionista” na pandemia, recusando-se a fornecer dados sobre funcionários contaminados e mortos pela covid-19, além de não garantir equipamentos de proteção e afastamento de empregados nos grupos de risco.

O sindicalista acredita que a retirada súbita de benefícios é uma tentativa de avançar na venda da empresa. “Somos responsáveis por um dos serviços essenciais do país, que conta com lucro comprovado e com áreas como atendimento ao e-commerce, que cresce vertiginosamente e funciona como importante meio para alavancar a economia. Privatizar é impedir que milhares de pessoas possam ter acesso a esse serviço nos rincões do país, de Norte a Sul, com custo muito inferior aos aplicados por outras empresas”, afirma José Rivaldo. 

Os Correios garantem que estão implementando “medidas cada vez mais exigentes de sanitização” e destacam o fato de ter mantido eficácia superior a 90% nos prazos de entrega, além de queda de 40% nas reclamações recebidas por canais próprios no ano passado. “Os impactos sofridos pela empresa são comuns aos correios do mundo todo: a União Postal Universal relata que 124 países enfrentam problemas com entregas, suspensão na prestação de serviços, interrupção na aceitação de alguns serviços, redução na capacidade da força de trabalho, em razão da pandemia”, diz a empresa.

Gigantes como Mercado Livre e Magalu driblam a dependência dos Correios 

A greve dos Correios pode afetar entregas no comércio eletrônico, mas as gigantes varejistas desenvolveram nos últimos anos sua própria estrutura logística

Exame
18/08/2020

A pandemia e o aumento do comércio eletrônico pressionaram toda a cadeia logística – incluindo os trabalhadores dos Correios. Com aumento da demanda e sem medidas adequadas de proteção e higiene, cerca de 100.000 funcionários da estatal acabaram de decretar greve.

A greve deve afetar as entregas no comércio eletrônico, já que a estatal é uma das maiores operadoras logísticas para as compras virtuais. As gigantes varejistas, no entanto, desenvolveram nos últimos anos sua própria estrutura logística, com integração com suas lojas físicas, dezenas de centros de distribuição em vários estados e até suas próprias startups e transportadoras. Como as empresas migraram para outras categorias de produtos além dos eletrodomésticos, como moda e alimentos e bebidas, ter uma estrutura ágil é essencial.

Mais recentemente, passaram a realizar essa logística também para seus parceiros de marketplace, serviço que se intensificou com a pandemia – afinal, dezenas de milhares de pequenos lojistas se voltaram às grandes plataformas para vender, com o fechamento temporário de suas lojas físicas. Essa estrutura aumenta a eficiência das varejistas e permite realizar entregas em uma fração do tempo. 

Magazine Luiza
Em função dos novos hábitos de consumo durante a pandemia, o comércio eletrônico formal brasileiro cresceu 70,4% no segundo trimestre, segundo o E-bit. No Magazine Luiza, o comércio eletrônico cresceu 182%, atingindo 6,7 bilhões de reais e 78% das vendas totais no trimestre. 

Com o fechamento do comércio, o Magazine Luiza reforçou sua estratégia de envios de produtos a partir das lojas. Com essa modalidade, cerca de 35% das entregas totais passaram a ser realizadas em até 24 horas. Para entregar os produtos de mercado, uma das categorias de maior destaque no trimestre, mais de 700 das 1.100 lojas físicas foram convertidas em pequenos estoques para essa categoria.

O parceiro de entrega, a startup Logbee adquirida há dois anos, recolhe então esses produtos nas lojas para levar às casas dos consumidores.A Malha Luiza cresceu e passou a reunir 4.000 micro transportadores e motoristas da Logbee.

Mercado Livre
O Mercado Livre, empresa mais valiosa da América Latina, chegou a 5 bilhões de dólares em produtos vendidos no segundo trimestre do ano. A rede gerenciada pela companhia em todos os países foi parte central para o crescimento do negócio de comércio eletrônico e para a capacidade de lidar com o aumento da demanda na pandemia, diz a empresa em sua divulgação de resultados. Dessa forma, o Mercado Envios enviou 157,5 milhões de itens no trimestre sem grandes problemas, alta de 124% em relação ao mesmo período do ano passado. No Brasil, a companhia abriu 18 centros de sortimento, totalizando mais de 35.

A maior parte dos itens são pagos pelo Mercado Envios, que tem uma ferramenta para cálculo e pagamento do frete e que no Brasil trabalha em parceria com os Correios. A participação do Envios é de 96% nas entregas por aqui – no total, a fatia é de 80%.

Mais do que fazer a logística de suas próprias entregas, as empresas estão oferecendo esse serviço também para os vendedores em suas plataformas de marketplace – gerenciando os estoques e envios a partir de seus próprios centros de distribuição. No Mercado Livre, empresa puramente voltada ao marketplace, esse serviço chegou a 17% do total de envios no Brasil – chegando a 20% até o final de junho. Como consequência, as entregas no mesmo dia e no dia seguinte melhoraram. Além das agências de Correio, o Mercado Livre tem 1.300 lugares em que os vendedores podem depositar as suas encomendas.

Via Varejo
A Via Varejo chegou a 5,1 bilhões de reais em vendas totais no comércio eletrônico. No segundo trimestre, as vendas online foram responsáveis por 70% do faturamento total. Para realizar essas entregas, a empresa passou de 60 para mais de 380 mini centros de logística, que reduzem o tempo de entrega e cortaram mais de 50% no custo do último braço da logística. O plano é chegar a mais de 500 até o próximo trimestre, com presença em todas as cidades em que a Via Varejo tem presença física. 

A empresa passou a lidar com mais de 70.000 pedidos por dia no trimestre – mais de duas vezes o total de pedidos processados por dia no quarto trimestre do ano passado, mesmo com a Black Friday e o Natal. A Asap Log, startup de logística adquirida recentemente, não opera apenas as entregas da Via Varejo – 10% de suas entregas são feitas para terceiros.

A Via Varejo realizou uma oferta de ações para captar 4,4 bilhões de reais – um terço desses recursos serão destinados à tecnologia e à logística.

B2W
A Lets, plataforma de entrega da B2W, faz 30% das entregas no mesmo dia e 58% das entregas em até 48 horas, tanto para vendas próprias quanto para parceiros do comércio eletrônico. A empresa é dona da Americanas.com e Submarino.com.

Para entregas ainda mais rápidas, a empresa tem o ship from store para produtos de vendedores locais, que entrega em até 2 horas produtos a partir de 4.000 Lojas Americanas ou lojas de vendedores parceiros. 

O consumidor também pode pedir para retirar seus produtos em 9.075 pontos em todo o Brasil. Essas parcerias incluem postos de conveniência da BR Distribuidora, shoppings da BR Malls e Multiplan e 1.000 restaurantes do McDonald’s.

A partir de sua divisão de logística, a Let’s, a B2W tem 17 centros de fulfillment em oito estados. Cerca de 908 vendedores tem seus estoques operados pela plataforma, através da qual todo o processo logístico, do estoque ao transporte e atendimento, é operado pela B2W. A B2W também tem um serviço de entregas no estilo Uber: a Ame Flash tem 20.000 entregadores independentes cadastrados em 700 cidades.

Greve dos Correios: mais de 85% dos pequenos lojistas dependem dos serviços

Mercado e Consumo
19/08/2020

Os funcionários dos Correios em todo o país entraram em greve na noite da última segunda-feira (17), por tempo indeterminado. Com a paralisação, pequenos e médios e-commerces podem ser afetados com o prazo do envio de seus produtos. De acordo com a Loja Integrada, plataforma de criação de lojas virtuais, cerca de 86% dos lojistas utilizam os Correios como forma principal de frete, mas também utilizam transportadoras (28%) e motoboy (24%).

Para Pedro Henrique Freitas, CEO da Loja Integrada, o ideal é o lojista garantir parceria com vários tipos de entregas. “A dependência de um só serviço pode prejudicar o sistema logístico do e-commerce. Hoje existem diversas transportadoras digitais com preços competitivos e qualidade de entrega. Minha dica é: tenha Correios, motoboy, transportadora, retirada em loja e quantas alternativas estiverem disponíveis”, explica o executivo.

O levantamento foi realizado com quase dois mil lojistas virtuais de todo o país durante os meses janeiro e fevereiro de 2020. O especialista listou algumas dicas para os empreendedores criarem um plano de ação:

1. Avise aos clientes sobre a greve

Por conta da paralisação, provavelmente os últimos pedidos despachados ficarão aguardando o envio, segundo Freitas. “Escreva aos seus clientes informando sobre a greve e que o prazo de entrega será maior do que o combinado”.

2. Aumente o prazo de entrega

Ainda não existe uma data para início e encerramento da greve, então o executivo recomenda que o lojista aumente o prazo de entrega em cerca de sete dias.

3. Habilite forma alternativa de envio

Segundo Freitas, há alternativas que integram outras transportadoras à sua loja, como a Melhor Envio e a Uello (acima de 20 entregas por dia).

Com informações do portal E-commerce Brasil.

Greve dos Correios expõe dependência das empresas de comércio eletrônico

Mais de 150 mil lojas virtuais foram abertas durante a pandemia segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. Como não há e-commerce sem logística de entregas, empresas buscam alternativas

JC
18/08/2020

A greve dos funcionários dos Correios iniciada na segunda-feira (17), põe em xeque o comércio eletrônico, que vem apresentando um bom desempenho desde o início da quarentena. Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, ABComm, foram abertas mais de 150 mil lojas virtuais desde o início do isolamento social, por conta da pandemia do coronavírus. Ainda de acordo com a associação, seis milhões de brasileiros zeram sua primeira compra online durante o confinamento. E como não existe comércio eletrônico sem logística de entrega, as empresas vão encontrando soluções alternativas para substituir a grande capilaridade dos Correios.

O casal Caetano Dias e Adriana Souza Melo montou há menos de um mês a Juventus Calçados, uma loja virtual para vender sapatos masculinos pelas redes sociais. O produto vem direto da fábrica, em São Paulo, para a casa do casal, em Olinda, que serve de depósito. As vendas já começaram e são para todo o País, mas a logística de entrega ainda representa um calo para a empresa.

“Vimos que não dá para depender apenas dos Correios. Agora mesmo, segundo o rastreio, estou com uma mercadoria parada, provavelmente por conta da greve”, disse Caetano.

A saída para que a empresa não morra no nascedouro é buscar alternativas. “Teremos que fazer um contrato com os Correios par a baratear os custos e, talvez, já incluir um seguro que cubra possíveis extravios”. Outro caminho, diz o empresário, é oferecer ao cliente vários tipos de remessa. “O cliente vai decidir se quer receber pelos Correios, transportadora, ou até empresa aérea. Ele escolhe e paga o frete”, pensa Caetano.

ESTRUTURA
Stefan Rehm, CEO da Intelipost, empresa de gestão de fretes que diz Stefan. Ele reconhece que os Correios são a única organização que tem abrangência em todos os mais de cinco mil municípios do Brasil, coisa que nenhuma transportadora tem. “Na Europa e nos Estados Unidos um e-commerce grande trabalha com duas ou três transportadoras para entregar no País inteiro. No Brasil, uma empresa de mesmo porte precisa trabalhar com 20 transportadoras para prestar o mesmo tipo de serviço”.

As dimensões continentais do Brasil e a infra-estrutura precária, faz com que aqui tudo seja mais complexo, analisou Stefan Rehm. O executivo fala que outros players locais e nacionais estão surgindo e já são cerca de 100 transportadoras trabalhando diretamente
com e-commerce no Brasil.

O Mercado Livre, um dos maiores market places da América Latina, informou através de nota que vem investindo na ampliação de sua malha logística própria. “No período de abril a junho deste ano, a penetração na rede gerenciada pelo Mercado Livre ultrapassou pela primeira vez os 50%, atingindo 51,6%”, informou a nota. A empresa armou ainda que, através do Mercado Envios, conseguiu entregar 157,5 milhões de itens durante o trimestre (abril a junho de 2020), representando um crescimento de 124,2% em relação ao ano anterior. No site da empresa, há um aviso para o consumidor para alertar quando a entrega não é feita pela rede própria: " O envio deste produto é pelos Correios e, no momento, eles estão em greve. Por isso, a data de entrega é mais longa do que de costume. Desculpe", diz o aviso.

Já os Correios informaram através de nota que a paralisação de seus empregados é parcial e não vem afetando os serviços de atendimento da estatal. “Levantamento parcial, realizado na manhã desta terça-feira (18), mostra que 83% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente”, cita a nota. A empresa diz ainda que já colocou em prática medidas para minimizar os impactos à população como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação; remanejamento de veículos e a realização de mutirões. “A rede de atendimento dos Correios está aberta em todo o país e os serviços, inclusive SEDEX e PAC [de entrega de produtos], continuam sendo postados e entregues em todos os municípios”, informou a empresa.

FT Postalis: apreensões da Operação Rebate elucidarão crimes contra fundo de pensão

Investigações que levaram à operação contaram com duas delações, relatórios de inteligência financeira e quebras de sigilos bancário e telemático

MPF
18/08/2020

A Operação Rebate, deflagrada pela Força-Tarefa Postalis, do Ministério Público Federal, na terça-feira passada (11), realizou buscas em seis endereços no Rio de Janeiro. O objetivo era reunir mais elementos que esclarecessem o conjunto de irregularidades cometidas contra o fundo de pensão dos Correios, tais como crimes contra o sistema financeiro e lavagem de capitais. Foram alvo das buscas José Carlos Oliveira – conhecido como Zeca-, sua irmã, Beatriz Oliveira, mãe, Myriam Oliveira, a sede da empresa de Myriam, Mercatto Assessoria Empresarial, e também Marcus Vinícius Innocêncio. Os policiais apreenderam documentos, celulares, tablets e notebooks nos locais. Na casa da mãe de Zeca, foram encontrados R$50 mil em espécie. 

Além das medidas aplicadas durante as diligências, a Força-Tarefa havia solicitado a prisão de Zeca Oliveira. Principal alvo do esquema investigado, segundo os procuradores, a conduta era necessária por entenderem haver risco concreto de reiteração criminosa, bem como da prática de mais lavagem de dinheiro. O MPF também desejava impedir a evasão de Zeca Oliveira do país, já que ele possui cidadania portuguesa. A Justiça discordou e indeferiu o pedido. 

As informações que conduziram os procuradores até a Operação Rebate foram obtidas a partir de duas delações premiadas. Além disso, quebras telemáticas, bancárias e relatórios de inteligência financeira apontaram a ocorrência das irregularidades. 

Os detalhes da operação, como os nomes dos alvos e o pedido feito à Justiça pelo MPF, estavam em sigilo. O juiz da 12 ª Vara de Justiça federal, Marcus Vinícius Reis Bastos, autorizou a divulgação dos dados na última quinta-feira (13). 

Entenda o caso – José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, mais conhecido como Zeca Oliveira, foi diretor-presidente no BNY Mellon, no período em que aconteceram os investimentos irregulares aplicados pelo Postalis. O BNY era a instituição financeira que realizava a gestão das aplicações do fundo. Zeca foi alvo da Operação Pausare, em 2018, bem como denunciado em dois outros casos ajuizados pela FT Postalis. 

Quando os procuradores analisavam as quebras de sigilo bancário do ex-executivo, verificaram o registro de vultosas transferências e depósitos realizados por duas fontes: Mercatto Assessoria Empresarial e Marcus Vinícius Domingues Inocêncio. Somente dessas duas origens, Zeca recebeu, entre 2010 e 2014, mais de R$4,3 milhões em valores históricos. 

Diante da singularidade dos fatos, os investigadores identificaram que a Mercatto Assessoria pertence atualmente à mãe de Zeca, mas também já foi registrada em nome dos seus irmãos. Para os procuradores, a empresa era utilizada para ocultação patrimonial e movimentação de recursos de origem ilícita. Marcus Vinícius, por sua vez, é pessoa do mercado financeiro e proprietário da Solução Investimentos, que realizou depósitos para o ex-presidente do banco e que recebeu mais de R$68 milhões de instituições financeiras e fundos de investimento entre 2010 e 2015. 

Estava desenhada a suspeita que batizou o nome da operação: Zeca, na função de presidente do BNY - instituição contratada pelo Postalis como administradora e controladora fiduciária do fundo – aplicava recursos da instituição cliente em fundos que também eram geridos pelo BNY. Os fundos pagavam, de volta para o banco e para outras empresas que tivessem atraído o investimento, taxas com natureza de comissão. Por fim, era realizada de volta a transferência para Zeca ou para a Mercatto Assessoria. A empresa de Marcus Vinícius - Solução Investimentos - era uma dessas intermediadoras dos desvios e se beneficiava do esquema. 

Conforme as investigações avançaram e a partir do cruzamento de informações com dados revelados pelos colaboradores, a Força-Tarefa teve autorização para fazer novas quebras, inclusive telemáticas. Nesse contexto, os procuradores apuraram e-mails e movimentações financeiras que atestaram os vínculos entre Zeca e a Soluções Investimentos, empresa de Marcus Vinícius. Também entre a Mercatto Assessoria e a Soluções, bem como transações bancárias envolvendo o sócio de um dos delatores: Arthur Machado, denunciado pela Postalis em junho. 

As investigações revelaram a grande proximidade que Zeca Oliveira tinha com os participantes do esquema. Os vínculos do investigado serviam para a prática de ilícitos diversos, dos quais se beneficiava financeiramente. Como exemplo, foi detectado que o ex-executivo recebeu várias benesses de Arthur Machado, tais como relógios, viagens, pagamentos de vantagens financeiras por meio de off shore, custeio de mais de R$320 mil para contratação de advogados de defesa e inclusive um empréstimo de R$635 mil para a aquisição de um Porshe Cayenne, em 2011. Essa cifra retornou para Machado em 2012, por meio de pagamento feito pela Mercatto Assessoria. Por outro lado, o ex-presidente também beneficiou os outros participantes do plano. Somente em 2010, Zeca repassou mais de R$100 milhões para Martin Cohen, Lyra e Arthur Machado, a pretexto de estar investindo no FIP ETB. 

Nessas relações próximas entre os investigados, a Força-Tarefa também encontrou e-mail mostrando os meandros de um patrocínio fechado entre a Soluções Investimentos - empresa de Marcus Vinícius - e o Fluminense Football Club. Ficou provado que, apesar de o contrato e a responsabilidade pelos pagamentos serem em nome da Soluções, a logomarca a ser divulgada pelos atletas aquáticos do clube era do banco BNY. É que Zeca é torcedor e foi também jogador de polo aquático pelo time tricolor. 

Quanto à lavagem de dinheiro, os procuradores tiveram acesso a um Relatório de Inteligência Financeira referente ao primeiro semestre de 2019. O documento informa que, somente nesse período, Zeca Oliveira adquiriu joias, pedras ou metais preciosos que custaram mais de R$45 milhões e foram pagos em espécie. A própria joalheria comunicou a movimentação atípica. Para o MPF, esse tipo de aquisição é um forte indicativo de ocultação e lavagem de capitais. As joias não foram localizadas. 

A partir dos documentos apreendidos na operação, a FT espera esclarecer o modo como as irregularidades foram praticadas, os papéis de cada envolvido, bem como o tamanho dos prejuízos provocados ao Postalis. O objetivo é responsabilizar penal e civilmente cada um dos envolvidos. 

O processo tramita na Justiça sob o número 1030599-21.2020.4.01.3400.
Íntegra do pedido principal

Entrevista do Vice-Presidente da ADCAP à Rádio 94 FM de Bauru

 

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Correios entram em greve

SBT Interior
18/08/2020



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Direção Nacional da ADCAP.