quinta-feira, 19 de março de 2020

PROCESSO ELEITORAL – REPRESENTANTE
DOS BENEFICIÁRIOS NA ASSEMBLEIA GERAL


A Postal Saúde divulgou edital para eleição de um representante dos trabalhadores para assembleia geral. 

O edital prevê que as inscrições se darão no período de 16 a 20/03/2020, um prazo absurdamente curto e que ocorre no momento em que todos estão preocupados e assustados com a pandemia do CODIV-19.

A pressa pode ser interpretada como uma tentativa de aproveitar um momento em que toda a sociedade (e os beneficiários da Postal Saúde) encontra-se fragilizada. Como explicar a publicação do edital no dia 13/03 (uma sexta-feira) e o período de inscrição começar na segunda-feira (dia 16/03)?

Além disso, a tentativa de eliminar a participação dos trabalhadores, substituindo-os por um único representante, na assembleia geral de uma entidade que é sustentada principalmente pelas contribuições dos beneficiários, é uma medida que não pode se sustentar, por afrontar os princípios básicos de governança.

Neste contexto, a ADCAP informa a seus associados o seguinte:

a) já acionou seus advogados para buscarem na justiça a suspensão dessa decisão inopinada;

b) não apoiará nenhum candidato a essa eleição e recomenda a seus associados que não se inscrevam, por considerar ilegítimo e ilegal esse caminho autoritário adotado pela atual direção da Postal Saúde.

Havendo evoluções no tema, a ADCAP manterá seus associados informados sobre o assunto.



Direção Nacional da ADCAP.

terça-feira, 17 de março de 2020

CORREIOS - MEDIDAS CONTRA
O CORONAVÍRUS


A ADCAP entrou em contato com o presidente dos Correios para saber porque ainda não divulgou as medidas que adotou ou adotará com relação a esse tema. Veja abaixo Telegrama enviado.

Direção Nacional da ADCAP.



TELEGRAMA COM CÓPIA E CONFIRMAÇÃO DE ENTREGA 

DESTINATÁRIO:

Ao Senhor
FLORIANO PEIXOTO VIEIRA NETO
Presidente dos Correios
Edifício Sede dos Correios
SBN, Quadra 1, Bloco A - 20º andar
Brasilia-DF 70002-900


REMETENTE:

ADCAP - ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DOS CORREIOS
        SCN QD. 01 BL. “E” S/1901-1913 - ED. CENTRAL PARK
        BRASILIA-DF
        70711-903

Telegrama

Sr. Floriano Peixoto
Presidente dos Correios
Senhor Presidente,

Inúmeras grandes organizações brasileiras, bem como órgãos públicos, incluindo o próprio MCTIC, têm divulgado medidas recomendadas e adotadas para proteção de funcionários e clientes contra o coronavírus.

Os Correios, apesar de ser um dos maiores empregadores brasileiros, assim como a organização que mais atende diretamente o público, nas agências e nas entregas domiciliares, não divulgou ainda as medidas que adotou ou adotará com relação a esse tema.

Solicitamos a V.Sa. que se avalie a publicação o quanto antes das medidas em questão, em curso ou em planejamento, para que os trabalhadores e clientes tenham o necessário conhecimento.

Brasília/DF, 17 de março de 2020.


Atenciosamente,
Maria Inês Capelli Fulginiti
Presidente da ADCAP

Adcap Net 17/03/2020 - Privatização em cheque, Bauru e Cartas - Veja mais!


CDH vai analisar sugestão que visa impedir privatização dos Correios

Agência Senado
16/03/2020

Está pronta para ser votada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) a Sugestão (SUG) 1/2020, que tem por objetivo impedir a privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

A sugestão teve origem na Ideia Legislativa n° 127.741, enviada pelo cidadão Afonso Henrique Muniz Nascimento ao Portal e-Cidadania do Senado Federal.

De acordo com as regras do portal, se a ideia obtém o apoiamento de pelo menos 20 mil internautas em quatro meses, ela é transformada em sugestão legislativa e tem que ser debatida pela CDH. A comissão, então, decide se a sugestão será transformada em uma proposição legislativa tradicional, como um projeto de lei (PL) ou uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

Morador do estado do Ceará, Afonso Henrique escreveu em sua ideia legislativa que os Correios têm grande capilaridade em todo o território nacional e, por isso, conseguem atender a todos os municípios do país, “prestando serviços que vão desde o envio e o recebimento de cartas e encomendas à logística integrada, serviços financeiros e de conveniência”.

Para ele, vender os Correios para empresas estrangeiras, por exemplo, “seria desastroso”, porque a empresa — conforme argumente Afonso — é estratégica, eficiente, tem importante papel social, vasta rede de atendimento e ampla capacidade logística.

A ideia legislativa foi publicada no e-Cidadania em 20 de setembro, alcançando 20 mil apoiamentos em 3 de janeiro deste ano.

A SUG 1/2020 já tem voto favorável de seu relator na CDH, o senador Paulo Paim (PT-RS), que preside o colegiado. Em seu relatório, Paim afirma que o e-Cidadania vem provando que “é um importante instrumento de estímulo à participação popular nas atividades desta Casa Legislativa”.

Paim afirma ser “inteiramente favorável” à sugestão por entender que os Correios desempenham papel de extrema relevância na sociedade brasileira, “garantindo que os cidadãos de todas as classes sociais e de qualquer parte do território nacional tenham a possibilidade de acesso ao serviço postal”.

“Não é exagero dizer que os Correios representam um fator de integração nacional, que dá aos brasileiros, mesmo nos rincões mais remotos do país, a oportunidade de ampliar seus horizontes, pelos serviços de envio e recebimento de correspondências, encomendas e valores”, acrescenta o relator.

Em seu voto, Paim propõe que a SUG passe a tramitar como PEC, para alterar o inciso X do artigo 21 da Constituição Federal, que determina que compete à União “manter o serviço postal e o correio aéreo nacional”.

Paim quer que o inciso passe a ter o seguinte texto: “manter o serviço postal, prestado por meio da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, e o correio aéreo nacional”. Isso, em sua avaliação, impediria que a ECT fosse privatizada por determinação do Executivo ou por projeto de lei ordinária.

Presidente e vice-presidente da Câmara cobram mobilização para reverter transferência da Superintendência dos Correios

José Roberto Segalla e Coronel Meira advertem que decisão de levar a estrutura de Bauru para Indaiatuba já foi tomada, colocando 500 empregos em xeque; parlamentares pedem que o ministro bauruense, que responde pelas Comunicações, o prefeito e deputados federais tomem providências

Câmara Municipal de Bauru
16/03/2020

Presidente e vice-presidente da Câmara Municipal, os vereadores José Roberto Segalla (DEM) e Coronel Meira (PSB) cobraram, nesta segunda-feira (16/03), mobilização de agentes políticos para que seja revertida a transferência da Superintendência dos Correios do Interior de São Paulo, sediada em Bauru, para a cidade de Indaiatuba.

A medida, de acordo com parlamentares, afetará 500 trabalhadores que, caso não aceitem a transferência, perderão seus empregos.

Coronel Meira cobrou responsabilidade do ministro Marcos Pontes, o astronauta brasileiro, que dirige a pasta a qual está submetida a empresa.

“Não é reestruturação; é transferência. Vou fazer um apelo para que ele, que vem a Bauru uma vez por ano para o Arraiá Aéreo, mude essa postura e essa proposição. Isso é um absurdo”, criticou o parlamentar.

Presidente da Casa, Segalla assegurou que não se trata de boato ou balão de ensaio.

“É uma decisão. Esteve aqui em Bauru e fez uma reunião, no dia 12 de março, um general representando a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para avisar que, a partir de 1º de janeiro de 2021, a Superintendência estará funcionando em Indaiatuba. Isso é motivo para que o prefeito se instale em Brasília até reverter isso”, advertiu.

Segalla também destacou que os deputados que dizem representar a cidade também devem se movimentar.

Sobre o Fechamento dos Correios em Bauru assista AQUI. Ouça nota AQUI também.

Bem traçadas linhas

Para quebrar a rotina de mensagens curtas e com expressões abreviadas, que marcam a era digital, milhares de jovens no País retomam o antigo comportamento de escrever cartas à mão e colocá-las nos Correios

IstoÉ
13/03/2020

Nos tempos atuais, em que reinam de forma absoluta as redes sociais, eis que muitos jovens dizem ter descoberto uma forma criativa de quebrar a rotina: escrever cartas como se fazia no passado. Isso significa que eles abandonaram de vez as conexões tecnológicas? Deram um solene adeus às plataformas digitais? Não, a coisa também não é bem assim, não chega a esse ponto — até porque muitos deles, em todo o País, postam as correspondências, que escrevem e recebem, em seus respectivos canais.

Mais: valem-se da internet para reunir orientações de como se deve escrever uma carta. Ou seja, como é o padrão dessa tendência: é de bom tom, em primeiro lugar, cumprimentar educadamente o destinatário, e, imediatamente, apresentar-se sem esquecer de colocar idade, endereço, ocupação principal na vida e quais as atividades nos momentos de descanso e descontração. A internet ajuda também a descobrir quem está disposto a receber e a escrever. Apesar do auxílio das ferramentas tecnológicas, é inegável, no entanto, que há algo de inovador transitando no território brasileiro. E inspirado numa das mais antigas formas de comunicação.

Quem sabe a juventude tenha se cansado do oco kkk. Escrever uma carta envolve mais sentimentos. É de fato um tempo dedicado para outra pessoa

Ida ao correio

No Brasil já milhares de adeptos, e a mestranda em literatura, Carolina Santiago, 23 anos, pontua de forma objetiva e inteligente esse ato de escrever: “É uma forma de se desligar do ambiente veloz. É bom parar, sentar e escrever para produzir uma coisa à mão. Depois, é preciso sair, ir aos Correios e esperar pela resposta”. Ela conclui: “Sai do contexto atual em que tudo é correria”. Não deixa de ser surpreendente alguém tão jovem falar em “ir aos Correios” em vez de tocar no comando que envia mensagens pelo Whatsapp. Há quem já tivesse o costume de trocar correspondências, abandonou-o, e, agora, até estimulado pela possibilidade de exercer um hobby, retornou à caneta e ao papel. Lygea de Souza Ramos, 36 anos, compõe esse perfil. Cartas na adolescência, tecnologia e só tecnologia na juventude e início da vida adulta, até que em 2017 bateu a saudade das missivas. “Telefone, e-mail, é tudo muito imediatista. Não tem aquele tempo de elaboração como a carta possui”, diz ela. “Escrever cartas é uma forma de demonstrar carinho”.

A antropologia social e a sociologia ensinam que, no campo do comportamento, nada se joga fora definitivamente — muito menos a internet, é claro. Ela vai crescer cada vez mais. Tanto é assim que absorveu a tendência e já existem sites especializados no incentivo ao retorno à letra à mão. É o caso do Envelope de Papel (o nome é culto, original e romântico), montado pela publicitária Mariana Loureiro, 23 anos. “Comecei um grupo de cartas, passei a receber algumas e a me identificar com esse mundo”, diz ela. Com certeza, até recentemente, se um jovem encontrasse na rua um amigo, também jovem, e lhe perguntasse onde estava indo, ficaria incrédulo se a resposta fosse: “até os Correios para enviar uma carta”. Hoje, grupos deles se reúnem e vão juntos postar as suas mensagens. É óbvio que não haveria muita graça, nem sentido, se a juventude voltasse a escrever como nos tempos de seus bisavós – ou seja, nada de “espero que essa lhe encontre bem” ou “escrevo essas mal traçadas linhas…”. Em qualquer atividade cria-se novidades, e um fato que traduz alegria é que muitas dessas cartas são escritas com letras coloridas de diversas cores, combinam-se letras cursivas com letras de forma, e vale enfeitar o papel com adesivos e desenhos.

Como toda tendência sempre contempla o mercado, já são vistas papelarias, cujos proprietários assistiam aos seus negócios minguarem no dia a dia, especializando-se na venda de material — e muitos apostam que o negócio crescerá cada vez mais. “É uma boa resposta para essa época de fake news. Os jovens são espertos e sempre do bem. Ninguém vai espalhar notícias falsas ou ofensas numa carta”, diz o comerciante Joaquim Cohen. Não há a menor dúvida de que ele tem razão. Escrever uma carta é dar um tempo maior de si mesmo para outra pessoa. Existem sentimentos de verdade nessa retomada de comunicação. Além disso, talvez a juventude tenha finalmente se cansado do oco kkk. 

 
Direção Nacional da ADCAP

sexta-feira, 13 de março de 2020

Adcap Net 13/03/2020 - Coronavírus compromete plano de privatizações e degradação do serviço postal em Portugal após privatização - Veja mais!



“A crise deflagrada pelo coronavírus atinge o mercado financeiro e o nosso projeto de desestatização”, afirmou Salim Mattar em um post em sua conta no Twitter”. “A Caixa resolveu suspender o IPO da Seguridade onde levantaria 15 bilhões de reais.” (ADCAP)


Secretário diz que crise do coronavírus 
atinge privatizações


Mercado financeiro em queda nesta semana, devido ao surto do coronavírus, é impróprio para projetos de desestatizações

Exame
13/03/2020

São Paulo — O secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Salim Mattar, afirmou nesta quinta-feira que o programa do governo federal de vender participações em estatais é atingida pelos desdobramentos da epidemia de coronavírus.

“A crise deflagrada pelo coronavírus atinge o mercado financeiro e o nosso projeto de desestatização”, afirmou ele em um post em sua conta no Twitter”. “A Caixa resolveu suspender o IPO da Seguridade onde levantaria 15 bilhões de reais.”


A Caixa Seguridade comunicou na noite da véspera que a Caixa Econômica Federal, sua controladora, interrompeu a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia, citando a atual conjuntura do mercado.

Nesta quinta-feira, a bolsa de valores chegou a ser interrompida duas vezes devido às fortes quedas em uma série de empresas listadas. No começo da tarde, o Ibovespa chegou a cair 19%.

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Em completo desalinhamento ao que disse seu Secretário de Desestatização, o Presidente da República publicou hoje (13/03), em sua página no facebook, o seguinte:
 
Jair Messias Bolsonaro

Facebook
13/03/2020


- O Governo investe na diminuição do Estado para diminuir a dívida pública, gerar empregos, desenvolvimento regional e investir em áreas como Saúde, Educação e Segurança. As Desestatizações seguem e temos muito a avançar. O Brasil tem pressa!

- Em janeiro foram R$ 29,5 bilhões e o objetivo é vender mais de 300 ativos ainda em 2020.
 
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"A auditoria da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) ao funcionamento do serviço postal universal revelou uma degradação do serviço desde a privatização dos CTT – Correios de Portugal, iniciada em 2013 e concluída em 2014." (ADCAP)

Qualidade do serviço postal piorou desde a privatização dos CTT, conclui auditoria da IGF

Auditoria sobre o serviço postal universal chegou ao Parlamento mais de dois anos depois do pedido à IGF. Documento foi entregue com termo de confidencialidade, mas o grupo parlamentar do PS revela algumas conclusões numa questão lançada ao Governo: Os imóveis da concessão do serviço postal universal vão passar para o Estado no fim do contrato de concessão?

Jornal Económico Sapo
11/03/2020

A auditoria da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) ao funcionamento do serviço postal universal revelou uma degradação do serviço desde a privatização dos CTT – Correios de Portugal, iniciada em 2013 e concluída em 2014. A IGF alerta, ainda, para atrasos nos prazos das entregas e para uma eventual posição de “vantagem concorrencial” da operadora postal sobre os restantes players no mercado, relativamente ao futuro contrato de concessão do serviço postal universal, devido a uma alteração legislativa que remonta a 2012.


Apesar de o relatório da IGF ter dado entrada na Assembleia da República com termo de confidencialidade, mais de dois anos depois de ter sido pedida, as conclusões foram reveladas pela bancada parlamentar do Partido Socialista (PS), numa pergunta endereçada ao Ministério das Infraestruturas e Habitação. O PS quer saber qual “a possibilidade de reversão para o Estado dos bens afetos à concessão do serviço postal universal  no final do contrato de exploração”, que termina em 31 de dezembro de 2020.

Segundo a nota do grupo parlamentar socialista, a IGF concluiu que entre os onze objetivos fixados pela Autoridade Nacional de Comunicações, “os padrões de qualidade exigidos na satisfação do SPU [serviço postal universal], nomeadamente quanto a prazos de entrega, densidade de pontos de acesso, regularidade e fiabilidade do serviço” evidenciam “uma degradação da qualidade” da operação, após 2013.

O regulador das auditorias defende também que “os dados do sistema de contabilidade analítica, relativos ao período 2013-2017, evidenciam que a atividade global da [empresa] CTT depende do SPU, dado que as margens positivas obtidas pela prestação daquele serviço compensam o desempenho negativo das restantes atividades”. Isto é, os indicadores que permitem distinguir os ganhos provenientes do serviço postal universal dos da atividade comercial dos CTT, analisados pela Anacom, indicam que é o SPU a suportar os prejuízos registados noutras atividades da empresa.

O organismo tutelado pelo Ministério das Finanças sublinha, ainda, a existência de uma “desconformidade entre a lei/contrato e a situação/titularidade dos bens afetos à concessão”, indicando que a situação “carece de clarificação”. Porquê? A IGF acredita que os atuais termos permitem que, no final do atual contrato de concessão do serviço postal universal, “apenas” os CTT reúnam condições para assegurar o serviço público, “atuando em situação de monopólio natural, inviabilizando, na prática, a entrada de outros operadores, incluindo o Estado, e a liberalização do mercado”.

O PS tem dúvidas quanto à alteração da lei postal feita em 2012 pelo Governo de Pedro Passos Coelho, que permitiu iniciar o processo de privatização dos CTT em 2013 (concluído em 2014). O partido do Governo quer perceber se as alterações à lei postal impedem a reversão gratuita e automática dos bens (os imóveis) da rede pública para o Estado, no final do contrato. Caso os imóveis não passem para o Estado, a liberalização do mercado não se verificará, tendo em conta que não deverão surgir outras empresas dispostas a concorrer  à concessão do serviço postal universal sabendo que terão de vir a investir em imóveis em todo o país.

As conclusões da IGF levaram o grupo parlamentar socialista a argumentar que a privatização dos CTT, ocorrida durante o Governo PSD/CDS, “não acautelou o interesse público”.

O PS questiona, por isso, o Governo se, “com base nas alterações legislativas ocorridas por altura do processo de privatização (2012/2014), no final do [atual] contrato os bens afetos à concessão do SPU passarão para a propriedade da empresa privada CTT ou reverterão para o Estado”.

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"O PCP quis saber o que o Governo fez depois de receber a auditoria da IGF aos CTT, na qual esta entidade aponta consequências negativas para a empresa depois da sua privatização, segundo relatos feitos por comunistas mas também por socialistas." (ADCAP)


Governo pronto para começar a negociar 
concessão dos CTT

O executivo já tem os elementos de que precisava para começar a definir o futuro dos CTT. Relatório final da Anacom “chegou há poucos dias”, revelou o ministro Pedro Nuno Santos, e auditoria da IGF já estava na mesa do Governo.

Público
12/03/2020

O Governo já tem na mesa as peças-chave para começar a definir o que acontece quando o contrato de concessão dos CTT terminar no final deste ano. O ministro das Infra-estruturas e da Habitação recebeu “há poucos dias” o relatório final da Anacom, revelou o próprio no Parlamento, e a auditoria da Inspecção-Geral de Finanças também já estava concluída. “Vamos começar a negociação”, disse Pedro Nuno Santos. 

O ministro falava na Assembleia da República no final de uma interpelação marcada pelo Bloco de Esquerda sobre os CTT, na qual o partido insiste no controlo público dos Correios, uma posição também defendida pelo PCP.
“Vamos analisar e preparar a nossa negociação com a empresa, pública ou privada, e acautelar as condições”, disse o governante. Antes, tinha sinalizado que o cenário central com que o executivo trabalha é o de um contrato de concessão com condições diferentes das que existem no actual contrato, mas deixando em aberto a questão da detenção do capital.

O compromisso do Governo é “trabalhar no quadro do contrato de concessão para que se garanta qualidade no serviço postal, densidade territorial que proteja a coesão, o respeito pelos direitos dos trabalhadores e uma relação mais justa entre os CTT e o poder local”. “Ao mesmo tempo que assumimos este compromisso, não excluímos o eventual recurso a medidas mais ousadas”, disse.

A deputada bloquista Isabel Pires pediu a Pedro Nuno Santos para “clarificar o plano de acção do Governo”. Mas o ministro das Infra-estruturas e da Habitação não foi muito além do que tinha dito até agora.

Mas tanto BE como PCP foram apontando para a inacção do Governo. O PCP quis saber o que o Governo fez depois de receber a auditoria da IGF aos CTT, na qual esta entidade aponta consequências negativas para a empresa depois da sua privatização, segundo relatos feitos por comunistas mas também por socialistas. A auditoria está há “mais de um ano no Governo”, disse Bruno Dias.

A auditoria é confidencial e, portanto, o que até agora se sabe sobre ela resulta das mensagens passadas por estes dois grupos parlamentares através de perguntas colocadas ao executivo. 
Bruno Dias explicou que a auditoria foi pedida pelo Parlamento em Fevereiro de 2018, tem data de Dezembro de 2018, mas só chegou à Assembleia da República em Dezembro de 2019. O deputado comunista quis saber o que o Governo fez neste ano. 

O PS entregou esta semana uma pergunta ao ministro das Infra-estruturas e da Habitação na qual revela algumas das conclusões da auditoria, entre elas a dúvida que a IGF coloca sobre a propriedade dos bens dos CTT (as lojas) e se estes devem ou não reverter para o Estado no final do actual contrato de concessão, que termina no último dia de 2020. Esta questão é vista como determinante para perceber até que ponto a empresa CTT tem condições mais vantajosas, quase de monopólio, para concorrer numa próxima concessão. 

No debate, o PSD insistiu que não tem qualquer visão ideológica e que o que interessa é a qualidade do serviço postal. O CDS quis saber por que motivo é que o Governo considera “impossível fazer qualquer coisa nos CTT mas na TAP fez”. 

No Parlamento, o ministro disse ainda que é preciso ter em conta o “desafio” colocado pelas alterações no negócio dos Correios nos últimos anos - com menos troca de cartas, mas com caminho para fazer nas encomendas que beneficiam do comércio electrónico -, independentemente de o capital ser público ou privado. Pedro Nuno Santos deu ainda o exemplo de Espanha onde a capilaridade da rede dos CTT foi usada para vender outros produtos como licenças e seguros de caça e pesca.

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Os Correios fazem seu serviço com afinco, seriedade e, acima de tudo, com alta qualidade. 99% das encomendas colocadas sob sua responsabilidade são entregues rigorosamente no prazo e com o menor preço do mercado, mesmo com a livre concorrência. Por isso tudo, privatizar é um enredo que só cabe na cabeça de quem tem outros interesses. Pense nisso. #todospeloscorreios 


 
Direção Nacional da ADCAP.