quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Desmontando Fake News nº 7 - A Privatização dos Correios: quase 100 mil funcionários podem ganhar 2 anos de estabilidade

 

Como estamos numa luta desigual, em que a mídia reproduz informações distorcidas provenientes de órgãos do governo federal a respeito dos Correios e a própria empresa não se defende, emudecida por um direção subserviente e comprometida com o desmonte da organização, a ADCAP passará a oferecer por esse canal seu posicionamento sobre matérias que tratarem dos Correios.

-----------------------------------------------------

A PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS: QUASE 100MIL FUNCIONÁRIOS PODEM GANHAR2 ANOS DE ESTABILIDADE


O Poder 360 trouxe na edição desta quarta-feira (21/10/2020) um artigo intitulado “A Privatização dos Correios: quase 100 mil funcionários podem ganhar 2 anos de estabilidade” (Leia AQUI).

Comentaremos algumas partes do artigo, para oferecer informações mais completas sobre o tema:

Após mencionar uma ideia que estaria sendo cogitada em reuniões internas da estatal, de assegurar estabilidade por dois anos aos funcionários da estatal após a privatização, a matéria prossegue afirmando que “Com o quadro de funcionários considerado inchado – há 99.003 funcionários na empresa – a ideia seria manter pouco mais de 30 mil, quantidade considerada suficiente pelos possíveis compradores”.

Sobre essas afirmações da matéria, a ADCAP pondera o seguinte:

  1. Com presença em todo o país, incluindo agências, centros de distribuição e centros de tratamento de carga, entre outros, a Empresa precisa ter um quadro de pessoal apropriado. Ilações a respeito de possível redução de efetivo são apenas isso – meras ilações, completamente desprovidas de qualquer base técnica. Além disso, quais seriam os “possíveis compradores” que fizeram essa afirmação e com base em que? Ou será que apenas repetem argumentos proferidos irresponsavelmente por autoridades do próprio governo para tentar justificar seu intento? Importante destacar, também, que os Correios não realizam concurso público desde 2011 e enfrentam, na verdade, graves problemas de falta de pessoal em diversas unidades, o que tem sido coberto, em caráter precário, com a contratação de mão-de-obra terceirizada. Empresas de correios em todo o mundo dependem intensivamente de mão-de-obra, sendo grandes empregadoras de pessoal; isso é natural e necessário, em função das especificidades do próprio serviço, que emprega 5,26 milhões de trabalhadores no mundo todo, de acordo com a União Postal Universal.
  2. Por outro lado, é importante que se destaque que um operador privado sempre busca caminhos curtos para redução de custos e a demissão de pessoal é um desses caminhos. Foi assim em diversas situações de privatização, como em Portugal, onde, para economizar custos e ampliar dividendos aos acionistas privados, o operador privado do CTT demitiu pessoal, fechou agências e piorou a qualidade das entregas, prejudicando severamente a população, que agora clama pela reestatização do seu serviço postal. 

Quanto aos resultados financeiros dos Correios, a matéria reproduz apenas informações a partir de 2015, período sempre usado pelo governo para tentar emplacar a ideia de que os Correios são uma empresa deficitária, em função dos resultados negativos de 2015 e 2016. Acrescentemos os resultados de um período maior, informações sobre as causas dos prejuízos e o resultado parcial de 2020 e teremos um quadro real da situação da Empresa, que é bem diferente do que tenta apresentar o governo:

Resultados dos Correios nos últimos 10 anos, de acordo com os demonstrativos financeiros disponíveis no site dos Correios ( Veja AQUI):   

Ano

Resultado

2010

818.966

2011

882.747

2012

1.113.287

2013

325.278

2014

9.913

2015

-2.121.238

2016

-1.489.505

2017

667.308

2018

161.049

2019

102.121

2010-2019

469.926

Resultado em 2020: R$ 770 milhões de lucro até agosto.

Principais causas dos prejuízos havidos nos Correios: retirada excessiva de dividendos (em valores atuais, cerca de R$ 6 bilhões; muito mais que os lucros da Empresa no período); congelamento tarifário por dois anos em época de eleições, ocasionando prejuízo de cerca de R$ 1,2 bilhões; implantação de nova norma contábil (CPC-33) que exigiu a contabilização antecipada de despesas que as empresas poderiam ter no futuro com verbas de pós-emprego (previdência, assistência médica etc).

Assim, a inversão de resultados havida a partir de 2013 e acentuada em 2015 e 2016 não se deveu, portanto, a problemas de mercado ou de gestão da Empresa, os Correios acumularam em 10 anos 469 milhões de lucro, apesar do excessivo recolhimento de dividendos e do indevido congelamento tarifário havidos no período e os resultados dos últimos exercícios apontam que a organização não só sobreviveu a essas situações do passado mas também já ostenta resultados positivos nos últimos três anos e também em 2020, apesar da pandemia.

 

-----------------------------------------------------

Os brasileiros merecem receber melhores informações e os devidos contrapontos ao discurso falacioso do governo. A ADCAP estará atenta às matérias que tratem dos Correios e divulgará amplamente sua opinião e suas observações a respeito. 

 

Direção Nacional da ADCAP.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Desmontando Fake News nº 6 - A responsabilidade de um ministro de Estado

Como estamos numa luta desigual, em que a mídia reproduz informações distorcidas provenientes de órgãos do governo federal a respeito dos Correios e a própria empresa não se defende, emudecida por um direção subserviente e comprometida com o desmonte da organização, a ADCAP passará a oferecer por esse canal seu posicionamento sobre matérias que tratarem dos Correios.

-----------------------------------------------------

A RESPONSABILIDADE DE UM MINISTRO DE ESTADO


Em postagem no Twitter (AQUI), o ministro Fábio Faria (PSD-RN) declarou, comentando artigo de O Estado de São Paulo,  que “Os problemas têm se avolumado em decorrência do sucateamento da estatal”.

Em qualquer país do mundo, uma declaração como esta, vinda do ministro responsável pela pasta que coordena a estatal ensejaria, no mínimo, a imediata substituição da direção da empresa ou então do Ministro, afinal são eles as autoridades responsáveis pela gestão. No Brasil, porém, as autoridades do governo se ocupam em desconstruir as próprias pastas, buscando, com isso, justificar posicionamentos ideológicos. Fábio Faria (PSD-RN) segue, infelizmente, essa mesma linha desconstrutiva e lesa-Pátria.

A declaração do Ministro não é, porém, apenas injusta e descabida; é também uma retumbante Fake News, afinal, se ele se desse ao trabalho de examinar minimamente os dados da estatal sob supervisão de sua pasta, teria visto que os Correios acabaram de renovar sua frota neste ano, com o recebimento de mais de 7.000 novos veículos, num investimento de cerca de R$ 197 milhões, talvez o maior investimento em renovação de frota feito no Brasil. A notícia saiu na imprensa e está publicada no próprio blog dos Correios, AQUI.  Não cabe, portanto, falar em sucateamento da Empresa.

Declarações como essa, proferidas por autoridades do governo federal, têm arranhado a reputação e depreciado os Correios e se tornam um evidente crime lesa-Pátria quando feitas simultaneamente à tentativa de privatizar a estatal. No caso do Ministro das Comunicações, isso é ainda mais grave, em função da responsabilidade do cargo exercido e do atual protagonismo nessa temática.

 


-----------------------------------------------------

Os brasileiros merecem receber melhores informações e os devidos contrapontos ao discurso falacioso do governo. A ADCAP estará atenta às matérias que tratem dos Correios e divulgará amplamente sua opinião e suas observações a respeito. 

 

Direção Nacional da ADCAP.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Adcap Net 19/10/2020 - Matérias da imprensa e Carta de Leonardo Monteiro para as Câmaras Municipais - Veja mais!

Governo dá primeiro passo para privatizar Correios

2021 pode ser um novo marco no mercado de serviços postais do Brasil

Valor
19/10/2020

O processo de privatização dos Correios deu, na semana passada, um importante passo adiante. A despeito do risco de judicialização e da certeza de que o tema será alvo de disputa política no Legislativo, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, efetivou em ato simbólico a entrega ao presidente Jair Bolsonaro do projeto de lei que permite a exploração dos serviços postais pela iniciativa privada.

Agora, o caso passará por uma análise conclusiva no Palácio do Planalto, na Subchefia de Assuntos Jurídicos e na Casa Civil, antes de ser enviado ao Congresso.

Se aprovado pelos deputados e senadores, o que pode ocorrer no ano que vem, na prática o governo estará abrindo caminho para a desestatização de uma das mais antigas empresas públicas do Brasil.

Demorou um pouco mais do que o esperado, é verdade. Desde o início do governo, a equipe econômica e autoridades do Palácio do Planalto têm prometido destravar esse processo, assim como o de desestatização de outras empresas públicas.

Durante a campanha eleitoral de 2018, o presidente Jair Bolsonaro já sinalizava a disposição de desmobilizar os ativos públicos, com o correspondente resgate da dívida mobiliária federal. "Estimamos reduzir em 20% o volume da dívida por meio de privatizações, concessões, venda de propriedades imobiliárias da União e devolução de recursos em instituições financeiras oficiais que hoje são utilizados outras privatizadas e, em sua minoria, pelo caráter estratégico serão preservadas", assegurava o programa de governo do então candidato.

Foi essa a justificativa, a melhoria dos serviços prestados à sociedade em geral, que o Ministério das Comunicações mencionou logo no início da nota por meio da qual forneceu alguns dos detalhes do que está sendo discutidos internamente no Executivo.

A proposta estabelece, por exemplo, a organização e a manutenção do Sistema Nacional de Serviços Postais. O projeto de lei inclui o setor postal no rol de atividades reguladas pela Agência Nacional de Teleco(Anatel), que passaria a se chamar Agência Nacional de Comunicações.

Previsto na Constituição, o princípio de universalização do serviço será mantido e o Ministério das Comunicações deverá elaborar as diretrizes do setor e o "Plano Geral de Metas para a Garantia da Prestação do Serviço Postal Universal". Com a abertura de mercado, o governo federal assumiria a responsabilidade de assegurar o acesso a esses serviços a 100% da população por meio da celebração de contratos de concessão "comum" ou "patrocinada". De acordo com o modelo, a atividade será delegada a um "Operador Postal Designado" enquanto estiver em curso o processo de privatização dos Correios.

Não será uma batalha fácil. Como era de se esperar, representantes dos funcionários já anunciaram que resistirão. Farão um corpo a corpo no Congresso contra a iniciativa, a qual também precisará superar os obstáculos a serem colocados pela oposição, e já sinalizaram que estão dispostos a levar o caso à Justiça.

Mesmo assim, argumentos não faltarão para o governo. A população espera mais agilidade na entrega não só de correspondências e documentos, mas também de mercadorias. O aumento do comércio eletrônico foi impulsionado pela pandemia e tende a continuar crescendo. Se confirmada a chamada recuperação em "V", a economia brasileira demandará mais agilidade, dinamismo e eficiência. O Estado não será capaz de suprir essa necessidade a contento.

Por outro lado, terá o desafio de desenhar um modelo de privatização capaz de atrair o empreendedor privado, oferecendo retorno sobre o capital investido, sem desmantelar a rede de atendimento em regiões de baixa atratividade econômica.

A história dos Correios ficou recentemente marcada pelo episódio que culminou no escândalo do mensalão. Algumas apostas, como o Banco Postal, também não tiveram o sucesso pretendido.

No entanto, sua história começou durante o período do Brasil colônia. Remonta ao ano de 1663 e, desde então, a empresa prestou inestimáveis serviços à população e ajudou a garantir a integração nacional. Os tempos, no entanto, são outros. Exigem maior competição no setor. Espera-se que 2021 possa ser um novo marco no mercado de serviços postais do Brasil.

Sobre a matéria acima leia o posicionamento da ADCAP em Desmontando Fake News nº 4

A privatização dos Correios

O governo, enfim, dá um passo para cumprir uma promessa de campanha.

Estadão
19/10/2020

É crescente o número de cidadãos que passam por algum dissabor com os Correios. Greves rotineiras, atrasos nas entregas, remessas extraviadas ou danificadas, entre outros problemas na prestação de serviço, têm se avolumado em decorrência do sucateamento da estatal, que amargou quatro anos seguidos de prejuízos e só a partir de 2017 voltou a dar lucro.

A pandemia de covid-19, que levou ao aumento da demanda por serviços de entrega, só fez explodir o grau de insatisfação dos usuários, como atestam os relatórios do Procon e das comissões de Defesa do Consumidor de Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas de todo o País.

Diante de tanta ineficiência e desperdício de recursos públicos, há muito se fala na privatização dos Correios. Não por acaso, o presidente Jair Bolsonaro foi eleito prometendo privatizar uma série de empresas estatais, os Correios entre elas, mas nada fez nesse sentido desde que tomou posse. Ao contrário. No governo Bolsonaro, não só nenhuma estatal foi privatizada, como mais uma foi criada, a NAV Brasil.

Assim, não deixa de ser alvissareira a notícia de que o Ministério das Comunicações acaba de apresentar ao presidente Jair Bolsonaro a minuta de um projeto de lei que abre caminho para a privatização dos Correios. Primeiro, o documento deverá ser analisado pela Secretaria-Geral da Presidência da República. Só então será encaminhado ao Congresso Nacional. Trata-se, portanto, de um movimento ainda bastante incipiente. Mas já é alguma coisa para um governo que, na prática, se mostra bem menos reformista do que as promessas feitas na campanha de 2018 indicavam que seria.

Não se conhece a íntegra do texto entregue pelo ministro Fábio Faria ao Planalto no dia 14 passado, mas sabe-se que ali vão as diretrizes do processo de privatização que o governo espera ver concluído no final de 2021. "Esse projeto", disse Faria, "trata mais sobre princípios do que regras, até porque o Congresso deve se debruçar sobre esse tema e lá é a arena onde serão debatidos todos os requisitos necessários (para a privatização), sobre a universalização das entregas e a situação dos funcionários", disse o ministro após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira.

Em nota, o Ministério das Comunicações esclareceu que o projeto de lei prevê uma nova organização do Sistema Nacional dos Serviços Postais, para que sejam explorados pela iniciativa privada, "respeitando, porém, a Constituição em seu artigo 21, que estabelece que compete à União manter o serviço postal (e o correio aéreo nacional)".

Segundo o ministro Fábio Faria, o projeto de lei também cria a Agência Nacional de Comunicações (Anacom), que substituirá a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ao ampliar seu rol de competências com a inclusão da regulação do Sistema Nacional de Serviços Postais.

Não se sabe exatamente qual será o modelo escolhido pelo governo para propor a privatização dos Correios. Fala-se do "fatiamento" das unidades de negócio estatal, da venda de participações e de uma delegação de serviços, nos moldes de uma concessão. O Estado apurou que a divisão de concessões por região, tal como fora feito no processo de privatização das telecomunicações, não está descartada. O Ministério das Comunicações contratou os serviços de uma consultoria para elaborar uma proposta de modelos para a privatização. O estudo deverá ser entregue em 120 dias.

Seja como for, não se pode perder de vista que o objetivo de uma privatização como a dos Correios é, antes de tudo, melhorar o serviço prestado aos cidadãos. Não menos importante é retirar do Estado as atividades que podem ser muito bem executadas pela iniciativa privada, dotando a administração pública de melhores condições para desempenhar seu mister essencial. Dito isso, não há espaço para descuidos com a garantia da universalização dos serviços postais e com a boa regulação da Anatel, Anacom ou qualquer outra agência que venha a ser criada.

Sobre a matéria acima leia o posicionamento da ADCAP em Desmontando Fake News nº 5 

A privatização não é o único caminho para os Correios, diz BNDES

Uol
19/10/2020



O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que contratou o consórcio Postar para realizar os estudos para privatização dos Correios, afirmou que ainda não está definido se a orientação será pela venda total da estatal à iniciativa privada.

"Estamos ainda na fase de estudos técnicos e ainda não é certo que os Correios serão privatizados, pois ainda não foi definido qual será a alternativa para o modelo de provimentos do setor postal", explicou a instituição à coluna, em nota. "A privatização não é o único caminho para a desestatização e há outras possibilidades além da venda total", completou.

No mês passado, após encerrar uma greve por conta de decisão judicial, os funcionários dos Correios afirmaram que o foco dos trabalhadores seria agora na "luta contra a privatização".

Na semana passada, o ministro das Comunicações, Fabio Faria, entregou ao Palácio do Planalto a minuta de projeto de lei que trata da privatização dos Correios. Segundo ele, a meta seria que a privatização acontecesse ainda no ano que vem.

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro disseram, no entanto, que a minuta não é a única que trata do tema que está sendo avaliada e que o governo ainda não definiu quando irá enviá-la ao Congresso.

No mês passado, em entrevista à coluna, o presidente da estatal, general Floriano Peixoto, afirmou que o processo de privatização da estatal era o mais indicado para tornar a empresa mais moderna. "O caminho da desestatização é o mais indicado, pois alia a estrutura já existente à expertise do mercado, desonerando o Estado de uma função que não é mais tipicamente pública", disse. Na ocasião, Peixoto afirmou que "a desestatização dos Correios já está em andamento".

Sem cronograma
O consórcio - formado por Accenture do Brasil Ltda e Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Falcão Advogados - foi contratado pelo BNDES no fim de agosto, por R$ 7,89 milhões.

Apesar disso, ainda não há um cronograma definido para todas as fases dos estudos. Segundo o BNDES, os estudos se encontram na Fase 1, que tem por objeto o diagnóstico do setor e o estudo de alternativas para modernização do mesmo. "A previsão é que a Fase 1 seja concluída em dezembro deste ano", prevê o banco.

Ainda compõem o estudo as Fases 2, para a modelagem da alternativa escolhida, e Fase 3, com foco na implementação do novo modelo. "Ambas com cronograma de execução ainda a ser definido", diz o BNDES.

Os estudos em desenvolvimento pelo Consórcio Postar estão sob a supervisão do Comitê Interministerial - formado pelo PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), Ministério da Economia e Ministério das Comunicações, com suporte dos Correios e do próprio BNDES.

Critérios de avaliação
Segundo o BNDES, a partir de dados levantados pelos estudos do Setor Postal, será possível entender a situação do segmento no país; como os Correios funcionam atualmente; suas maiores dificuldades; qual o ritmo de crescimento projetado para os próximos anos; além do panorama sobre o cenário internacional.

"A partir disso, será desenhado um modelo de desestatização que faça sentido para a empresa, os clientes, os parceiros e toda a sociedade", diz.

O BNDES afirma ainda que a análise considera o modelo de operação dos serviços postais de outros países, como Estados Unidos, Alemanha, França, Japão, Canadá e Uruguai "para mapear lições e aprendizados importantes ao processo de liberalização do setor postal brasileiro".

"Considerando o Brasil como um país complexo e continental, a intenção do estudo é criar um ambiente favorável para parcerias que tragam mais investimentos ao setor, levando a uma forte evolução, gerando maior competitividade e produção de riqueza."

Segundo o banco, na condição de objeto de estudo, os Correios têm colaborado tecnicamente com o Consórcio Postar auxiliando-o com o fornecimento das informações necessárias para o bom desempenho dos trabalhos. "Todo o processo tem ocorrido com muita responsabilidade e seriedade", afirma. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carta do Deputado Leonardo Monteiro para as Câmaras Municipais

OF N.º 136/2020 GDLM

                                                                           Brasília/DF, 19 de outubro de 2020.

Senhores e Senhoras Vereadores e Vereadoras,

Os Correios é uma empresa pública de mais de 350 anos, que tiveram e têm um papel essencial para o desenvolvimento, a soberania e a integração nacional. É uma empresa estratégica, com capilaridade em todo o país e que promove a inclusão bancária e comunicação entre milhões de brasileiros.

Agora, mais uma vez, a lógica ultraliberal do Ministro Paulo Guedes predominante no governo Bolsonaro, que deseja entregar o nosso patrimônio público ao capital privado internacional, volta a falar em privatização da empresa. Segundo matérias veiculadas na grande imprensa, já está em fase adiantada na Casa Civil para ser enviado ao congresso, o Projeto de Lei que permitirá a privatização dos Correios.

Privatização esta que até o ex-presidente da empresa, General Juarez Cunha reconhece que existem outras alternativas. Segundo ele, são diversos casos malsucedidos de privatizações de Correios pelo mundo, onde não se obteve uma melhoria nos serviços, apenas o aumento de taxas. Importante destacar, que o discurso de que a empresa é deficitária, não se sustenta. Pelos balanços publicados, os lucros auferidos foram de 667 milhões de reais em 2017 e 161 milhões em 2018.

Essa política econômica ultraliberal de entregar as estatais ao capital privado tem que ser barrada. Há anos estamos tentando garantir aos Correios oportunidades e alternativas para mantê-lo sustentável e público. Tramita na Câmara dos Deputados, já tendo sido aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia, o PL 7638/2017, de minha autoria e da Deputada Maria do Rosário, que institui a fidelização dos Correios em órgãos públicos federais. Esse projeto garantirá mais economia, eficiência e ganhos que podem alcançar 20 bilhões de reais/ano. Também de minha autoria, está para ser votado, o PL 1638/2019, que visa criar o Fundo de Universalização dos Serviços Postais (FUSP), para financiar e levar os serviços postais em áreas remotas e grotões onde não é rentável os serviços. Esses 2 (dois) projetos, trariam uma arrecadação extra para os Correios, descartando de vez a hipótese de privatização.

Na condição de presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Correios, alerto à todos, que a privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) não tem a pretensão de melhorar os serviços. O que esse governo quer é dar segmento à sanha ultraliberal que abre nosso patrimônio e riquezas para a invasão de investidores que somente querem lucrar. Não estão a serviço do povo brasileiro nem dos trabalhadores dos Correios que trabalham de sol a sol para fazer a entrega das encomendas dentro do prazo. É um sucateamento sistêmico e vergonhoso para atender os interesses do mercado financeiro e não os interesses do Brasil.

Por isso, envio à todas Câmaras Municipais esse manifesto, para ser lido em plenário e registrado nos anais das Casas Legislativas, para que o povo Brasileiro tenha conhecimento de mais esse crime que está sendo cometido contra a soberania do País e contra o povo brasileiro.

Resistiremos!


LEONARDO MONTEIRO
Deputado Federal PT/MG

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Correios  

 

Gravíssimo!!! Governo finaliza projeto para acabar com os correios

O governo de Jair Bolsonaro finalizou o projeto de lei que possibilita a privatização dos Correios.

Tony Devito
19/10/2020

Assista AQUI.

 

 

 

Direção Nacional da ADCAP.

Desmontando Fake News nº 5 - A privatização dos Correios

 

Como estamos numa luta desigual, em que a mídia reproduz informações distorcidas provenientes de órgãos do governo federal a respeito dos Correios e a própria empresa não se defende, emudecida por um direção subserviente e comprometida com o desmonte da organização, a ADCAP passará a oferecer por esse canal seu posicionamento sobre matérias que tratarem dos Correios.

-----------------------------------------------------

A PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS


O Estadão trouxe na edição desta segunda-feira um artigo na coluna Opinião intitulado "A privatização dos Correios".

Comentaremos duas partes do artigo, apresentando a posição da ADCAP a respeito, na expectativa de que os pontos abordados sejam devidamente avaliados pelo veículo em outras matérias sobre os Correios.

Algumas afirmações feitas pelo jornal são trazidas a seguir, acompanhadas dos comentários da ADCAP.

"Amargou quatro anos seguidos de prejuízos e só a partir de 2017 voltou a dar lucro"

Comentário da ADCAP – Ora, estamos em 2020 e os Correios obtiveram resultados positivos em 2017, 2018 e 2019. Mesmo assim, o jornal fala dos prejuízos havidos em quatro anos anteriores a esse período, ignorando, também os resultados positivos obtidos nos anos anteriores aos quatro anos em que houve prejuízo. Seria interessante observar alguns fatos relacionados aos resultados dos Correios:

a) cerca de meio bilhão de reais de lucros nos últimos dez anos (abrangendo os 4 anos em que houve prejuízos);
b) mais de R$ 800 milhões de lucros acumulados nos últimos três anos;
c) em 2020, R$ 770 milhões de lucro acumulado até agosto.

* os resultados dos Correios podem ser consultados em https://www.correios.com.br/acesso-a-informacao/institucional/publicacoes/demonstracoes-financeiras ;
quanto ao resultado de 2020, deve ser obtido junto à direção da estatal.

"desperdício de recursos públicos"

Comentário da ADCAP – A que recursos públicos o jornal se refere, já que os Correios são uma estatal que independe de recursos do Tesouro Nacional, ou seja, custeia suas despesas com suas próprias receitas?

"Seja como for, não se pode perder de vista que o objetivo de uma privatização como a dos Correios é, antes de tudo, melhorar o serviço prestado aos cidadãos"

Comentário da ADCAP – O caso de Portugal e outros anteriores havidos anteriormente, como o da Argentina, exemplificam bem o que acontece quando se privatiza um correio. Caso se concretize no Brasil a intenção de privatização dos Correios, os brasileiros podem esperar a repetição por aqui, com grande agravamento, do quadro hoje presente em Portugal, onde houve sensível aumento de tarifas e o atendimento postal piorou bastante. Lá, inclusive, já há um movimento pedindo a reestatização dos serviços postais (CTT), como pode ser facilmente visto fazendo uma busca rápida na internet.

Os brasileiros merecem receber melhores informações e os devidos contrapontos ao discurso falacioso do governo. A ADCAP estará atenta às matérias que tratem dos Correios e divulgará amplamente sua opinião e suas observações a respeito. 

 

 

Direção Nacional da ADCAP.

Desmontando Fake News nº 4 - Governo dá primeiro passo para privatizar Correios

Como estamos numa luta desigual, em que a mídia reproduz informações distorcidas provenientes de órgãos do governo federal a respeito dos Correios e a própria empresa não se defende, emudecida por um direção subserviente e comprometida com o desmonte da organização, a ADCAP passará a oferecer por esse canal seu posicionamento sobre matérias que tratarem dos Correios.

-----------------------------------------------------

Governo dá primeiro passo para

privatizar Correios

O Valor Econômico trouxe hoje um artigo na coluna Opinião intitulado "Governo dá o primeiro passo para privatizar os Correios".  A matéria completa pode ser lida AQUI.

Comentaremos algumas partes do artigo, apresentando a posição da ADCAP a respeito.

O artigo do Valor afirma que: "A população espera mais agilidade na entrega não só de correspondências e documentos, mas também de mercadorias. O aumento do comércio eletrônico foi impulsionado pela pandemia e tende a continuar crescendo. Se confirmada a chamada recuperação em "V", a economia brasileira demandará mais agilidade, dinamismo e eficiência. O Estado não será capaz de suprir essa necessidade a contento."

Cabe ressaltar aqui que a entrega de mercadorias (encomendas) no Brasil é uma atividade completamente liberalizada, havendo no país milhares de transportadoras em plena operação. Mesmo assim, num mercado totalmente aberto, os Correios são líderes de mercado no segmento de encomendas até 30 kg, não por terem qualquer monopólio, mas pela abrangência de seus serviços, pelos preços praticados e pela qualidade de seu serviço. E essa liderança vem desde o surgimento do comércio eletrônico brasileiro, potencializado na origem exatamente pela criação do e-Sedex pelos Correios. Nesse contexto, de mercado aberto e competitivo, não faz nenhum sentido concluir que a sociedade terá algum benefício com a privatização dos Correios. Pelo contrário, sob controle privado, os preços praticados tenderão a subir significativamente, como ocorreu em todos os casos de privatização havidos. O melhor e mais recente exemplo disso ocorreu em Portugal, onde a população clama pela reestatização de seu CTT, exatamente em função de aumento de preços e de piora no atendimento.

O artigo do Valor segue afirmando que "Por outro lado, terá o desafio de desenhar um modelo de privatização capaz de atrair o empreendedor privado, oferecendo retorno sobre o capital investido, sem desmantelar a rede de atendimento em regiões de baixa atratividade econômica."

Neste ponto, cabe ressaltar que apenas em 324 municípios brasileiros os Correios têm operações positivas, ou seja, faturam ali mais do que gastam. O custo de manter as redes de atendimento e de entregas dos Correios no país todo foi estimado pela direção da Empresa em cerca de R$ 6 bilhões por ano. Esse montante não tem sido cobrado do Estado, mas sim custeado pelos Correios, numa fórmula empresarial de sucesso que deveria orgulhar os brasileiros, pois tem desonerado o país de arcar com essa despesa.

O artigo menciona em seguida que: "A história dos Correios ficou recentemente marcada pelo episódio que culminou no escândalo do mensalão. Algumas apostas, como o Banco Postal, também não tiveram o sucesso pretendido."

Neste ponto cabem duas observações. Primeiramente a respeito da questão do mensalão, na qual os Correios figuraram mais como "boi de piranha" do que qualquer outra coisa, já que, enquanto a Empresa era exposta na mídia como "berço do mensalão", outras estatais eram saqueadas, constituindo o que de fato poderia ser chamado de mensalão. Havia, portanto, um contexto que ia muito além dos Correios, que, neste caso, foi mais vítima que qualquer outra coisa nessa história. E, sobre o Banco Postal, o fato de o Banco do Brasil não ter conseguido extrair da parceria resultados tão bons quanto o parceiro anterior extraiu, ou ainda que a atual direção dos Correios, em sua prática de engessar e emudecer a organização, deixou de buscar novo parceiro para operar o banco não significam que o empreendimento não tenha alcançado sucesso. Em que lugar do planeta uma parceria assim produziu como aqui a abertura de mais de 11 milhões de contas correntes, como aconteceu na primeira fase do Banco Postal com o Bradesco? O valor de R$ 2,8 bilhões alcançado no último leilão dessa parceria não foi um grande sucesso?

Por fim, com relação à expectativa para 2021, a ADCAP espera que o Congresso Nacional saiba sopesar as argumentações e narrativas, separando o que é verdadeiro do que é incorreto ou falacioso, em benefício da população brasileira.

Os brasileiros merecem receber melhores informações e os devidos contrapontos ao discurso falacioso do governo. A ADCAP estará atenta às matérias que tratem dos Correios e divulgará amplamente sua opinião e suas observações a respeito. 
 

 

Direção Nacional da ADCAP.

sábado, 17 de outubro de 2020

Desmontando Fake News nº 3 - Os parlamentares precisam se informar melhor sobre os Correios

 

Como estamos numa luta desigual, em que a mídia reproduz informações distorcidas provenientes de órgãos do governo federal a respeito dos Correios e a própria empresa não se defende, emudecida por um direção subserviente e comprometida com o desmonte da organização, a ADCAP passará a oferecer por esse canal seu posicionamento sobre matérias que tratarem dos Correios.

-----------------------------------------------------

Na edição de hoje, comentamos matéria trazida pela Rádio Senado, em que o Senador Marcos Rogério reproduz uma série de mentiras sobre os Correios. A matéria da Rádio Senado, intitulada "Governo deve enviar ao Congresso em breve proposta de privatização dos Correios" pode ser ouvida AQUI.

A seguir a mensagem da ADCAP a respeito da matéria.

-----------------------------------------------------

OS PARLAMENTARES PRECISAM SE INFORMAR MELHOR SOBRE OS CORREIOS

 

Senador Marcos Rogério, seria bom que o senhor se informasse melhor sobre os Correios e não saísse por aí reproduzindo mentiras que o governo tenta plantar. Os Correios não dependem de recursos de Tesouro Nacional. Aliás, foi exatamente o Tesouro Nacional que empobreceu os Correios, ao retirar bilhões de reais em dividendos extraordinários de lá, como aponta um relatório da CGU. Os Correios geraram lucros nos últimos 3 anos e o senhor deveria saber disso, afinal os balanços estão publicados no próprio site dos Correios. A carta brasileira é uma das mais baratas do mundo, apesar do tamanho do país; assim, os Correios não cobram caro pelo que fazem, mas sim exatamente o contrário. E as contas dos Correios não têm sido penduradas no orçamento da União como o senhor afirma, já que a Empresa sobrevive com suas próprias receitas.

Nossos parlamentares deveriam ser mais cuidadosos, principalmente quando está em jogo o patrimônio dos brasileiros, e se informar melhor sobre os temas que abordam, sem embarcar cegamente nos argumentos falaciosos que o governo tenta espalhar.

Os brasileiros merecem receber melhores informações e os devidos contrapontos ao discurso falacioso do governo. A ADCAP estará atenta às matérias que tratem dos Correios e divulgará amplamente sua opinião e suas observações a respeito. 
 

 

Direção Nacional da ADCAP.


ADCAP decide questionar direção dos correios e ingressar com ação coletiva sobre aposentados

 Nº 113 – 17/10/2020

Em função da divulgação em mídias eletrônicas do Ofício-Circular 17852972/2020 DIGEP-PRESI, que informa sobre a decisão da Direção dos Correios de desligar empregados aposentados, mesmo aqueles que não utilizaram de tempo de contribuição após a reforma da previdência, ocorrida em 13/11/2019, a ADCAP enviou comunicação à Diretoria de Gestão de Pessoas, com cópia aos demais integrantes da Diretoria Executiva dos Correios, questionando tal medida, bem como decidiu ingressar com medida judicial coletiva, postulando inclusive responsabilização pecuniária e indenização por danos morais, para impedir que tal injustiça seja perpetrada.


Direção Nacional da ADCAP.