quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Adcap Net 10/09/2020 - A importância dos Correios para o comércio eletrônico brasileiro - Veja mais!

A importância dos Correios para o comércio eletrônico brasileiro

ADCAP
10/09/2020


Frequentemente leio matérias que trazem declarações de pessoas a respeito dos possíveis benefícios que a privatização dos Correios poderia trazer para o comércio eletrônico brasileiro. Desconheço a motivação das pessoas que fazem essas declarações e sempre me espanto com elas, pois não vislumbro um único benefício que poderia advir dessa eventual privatização para estes players e, por outro lado, enxergo uma série de riscos que me parecem muito concretos, os quais tratarei nesta matéria.

Inicialmente, é importante mencionar que o mercado de transporte de encomendas é totalmente livre no Brasil. Assim, há milhares de transportadoras de todos os portes atuando no país. Os Correios, apesar de serem o principal desses operadores, são apenas mais uma opção à disposição das empresas de comércio eletrônico, não havendo nenhum monopólio ou reserva de mercado.

Então, qual seria a vantagem de se retirar do mercado uma das opções existentes? Ou então qual a vantagem de o controle dessa empresa passar a ser de um dos privados que hoje já opera ou pode operar no mercado? Como isso pode resultar em algum benefício para quem envia encomendas?

A resposta óbvia é que não há vantagem aí. Menos oferta leva a maior preço. E, se o privado hipoteticamente pode praticar um preço menor que os Correios, por que já não o faz agora, considerando que tem total liberdade de atuação? Por que será que na imensa maioria dos casos, os fretes dos Correios são os mais econômicos nas lojas virtuais?

No mundo todo, os processos de privatização de correios sempre levaram a aumento de preços e a redução de rede de atendimento. Aqui não será diferente. E isso não é bom para os operadores de comércio eletrônico, principalmente para as menores que dependem mais dos serviços postais.

Na atualidade, qualquer empreendedor pode lançar seu e-commerce e já começar vendendo para o Brasil todo, utilizando os Correios, com suas opções de encaminhamento normal (PAC) e expresso (Sedex). Se preferir, pode usar outros transportadores para determinados destinos em que isso for mais conveniente. É uma situação muito favorável, em que a utilização dos serviços dos Correios é sempre uma opção à mão, inclusive para os pequenos, mas não uma obrigação.

A pandemia acelerou o comércio eletrônico e incrementou o surgimento de novos entregadores. Isso é bom para os operadores, que possuem agora ainda mais opções no mercado. Mesmo assim, os Correios continuam sendo muito importantes pela inigualável capilaridade de seus serviços, pelos preços competitivos em muitas situações e pela regularidade de suas operações. Mexer nisso só faria sentido se faltasse capilaridade à rede dos Correios ou se seus preços fossem exorbitantes, duas coisas que efetivamente não acontecem.

Como principal transportadora do comércio eletrônico brasileiro, os Correios têm certamente muito a melhorar. Isso é inegável. Mas também é inegável a importância da presença dos Correios nesse mercado, assim como o fato notório de que qualquer concorrente que se julgue melhor pode se estabelecer e prestar seus serviços livremente.

Não faz, portanto, nenhum sentido imaginar que a privatização dos Correios possa ser positiva para o comércio eletrônico brasileiro. Não será. Os únicos beneficiados se essa intenção se materializar serão outros, que intermediarão ou participarão de um negócio bilionário de transferência de um patrimônio público extremamente valioso a preço de liquidação, ou que dividirão o bolo das entregas sem a concorrência dos Correios, podendo praticar preços maiores.

Assim, se você opera no comércio eletrônico, desconfie de quem prega que a privatização dos Correios lhe será favorável, pois não será.

Marcos César Alves Silva
Vice-Presidente da ADCAP
Associação dos Profissionais dos Correios

Antes que as coisas piorem, é preciso privatizar as estatais (estrangeiras) que exploram o Brasil

Tribuna da Internet
10/09/2020

A Enel é uma estatal, uma empresa de distribuição de energia elétrica que pertence ao estado, mas não ao estado brasileiro, ela pertence ao atrasado e retrógrado estado italiano, ela vem ao terceiro mundo garimpar dinheiro na nossa modernidade, afinal é só ver a quantidade de favelas e comunidades que existem na Itália, em contraponto a sociedade brasileira, tão rica e justa…

Aqui colocaram na cabeça do povo que o que pertence ao estado é ruim, não presta, quem ali trabalha é um parasita e o fato de funcionários de estatais terem um tratamento mais justo, ganharem um salário mais próximo à dignidade humana, criou no Brasil e no brasileiro um ponto interessante de inflexão na mente de sua população.

SATANIZAÇÃO – Criou-se aqui no inconsciente coletivo que trabalhar numa empresa, receber um salário mais justo, ter direitos trabalhistas, assistência médica e um tratamento digno é algo a ser destruído, ao invés de equiparar todo o trabalhador a esse patamar aqui o modelo neoliberal optou por satanizar o funcionário de estatal e o funcionário público.

Aqui, ao invés de se pregar que o funcionário de uma estatal recebe um tratamento mais digno, e portanto, os empregadores dos demais trabalhadores também podem chegar a esse patamar, optou se por satanizá-los, a opção foi que devemos retirar desses brasileiros os seus direitos e assim nivelar por baixo a todos.

Essa é só a página do tratamento dispensado aos funcionários, como uma estatal trata seus empregados, mesmo tendo lucro, e como a iniciativa privada trata os seus, ainda não chegamos no capítulo preço cobrado e o tratamento dispensado ao usuário.

ESTATAL ITALIANA – Voltando a vaca fria, a ENEL é uma estatal italiana, que trata seus empregados de lá da Itália com todo o zelo e que vem aqui no Brasil explorar grana fácil, pagar salários aviltantes, prestar um serviço de péssima qualidade e por último, graças ao fato de dominar muito bem os esgotos do legislativo/judiciário brasileiro, fazer o que bem entende.

Essa empresa é talvez a quarta ou quinta empresa “privada” que explora a distribuição de energia elétrica no estado do Rio de Janeiro, depois que a excelente estatal CERJ foi doada no governo tungano do Marcelo Alencar e seus filhos roedores, e o povo do interior e grande Rio nunca mais tiveram paz, essas empresas mudam de dono mas seus esquemas de impunidade jurídica vem no pacote.

Em comum todas elas tem o fato que nunca estenderam uma malha de distribuição, jamais criaram nada, todo esse investimento foi do estado, receberam tudo de mão beijada, contanto que mantivessem seus esquemas de corrupção dos três poderes azeitados.

MULTA MILIONÁRIAS – A última dessa gangue que atende pelo nome de ENEL, como falei, estatal para europeus e privada para os brasileiros, foi simplesmente distribuir multas milionárias de forma aleatória, sem perícia técnica, sem processos abertos para centenas de milhares de contribuintes /patos do estado do Rio de Janeiro. Meu irmão, por exemplo, foi brindado com a cobrança da ninharia de 12 mil reais.

O critério de cobrança beira o surreal, é uma obra rodriguiana de ficção que custa a qualquer cidadão dotado de bom senso acreditar. Simplesmente eles alegam que acharam uma diferença de valores nos últimos três anos e emitem uma notificação extrajudicial com a cobrança dos valores arbitrados, e é isso aí mesmo e está acabado.

SERIAM ALGEMADOS – Num país mais ou menos sério o presidente, a diretoria e os gerentes dessa empresa sairiam todos algemados e a empresa perderia a concessão do serviço público imediatamente, porém estamos no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, e a chance disso acontecer aqui é zero, no máximo que o contribuinte-cidadão-otário vai conseguir aqui, depois de gastos, lutas e perda de tempo, é a dívida ser anulada, mas punição para a gangue que emite esses valores arbitrários não existe e nem existirá, afinal eles compraram a impunidade junto.

Esse é o modelo de terceirização brasileira, pega se uma estatal que presta um serviço de primeira necessidade ao povo, doa-se ela por inteiro a uma gangue estrangeira a troco de propinas, essa empresa sucateia os serviços, demite metade dos funcionários, triplica o preço do serviço e, não contente com isso, parte para a arbitrariedade unilateral.

O Brasil acabou, chegou no fundo do poço, ou recomeça do zero ou então é melhor fechar as portas de uma vez por todas. (artigo enviado por Renato Galeno)

Correios privatizados? Como funciona serviço em países como EUA e Alemanha

Uol
10/09/2020

A promessa de privatização dos Correios deve deixar o Brasil à parte de outros países com dimensões continentais, que mantêm empresas estatais como forma de assegurar entregas em todos os locais e a soberania nacional.

No Brasil, os Correios registraram faturamento de R$ 19 bilhões, com um lucro líquido de R$ 102,1 milhões no ano passado, mas entraram na mira do governo Bolsonaro, que pretende passar o controle da empresa à iniciativa privada.

A empresa também emprega cerca de 100 mil funcionários, que agora estão em greve contra a privatização e a retirada de direitos trabalhistas por parte da companhia, segundo o sindicato.

"O Brasil tem que garantir que os preços não sejam exorbitantes para os locais mais distantes dos grandes centros. Por isso, a conta que é preciso fazer é quanto custará regular, subsidiar e oferecer isenção fiscal mesmo que privatize a empresa", disse Ana Lúcia Pinto Silva, professora de economia da FAAP e Mackenzie.

Canadá, Rússia e até mesmo os EUA mantêm os correios locais sob o comando governamental. Outros países, como Alemanha, Portugal e Argentina, optaram por privatizar o serviço, mas, ao menos os últimos dois, já discutem se a decisão foi acertada.

EUA têm correios estatal.

Os EUA possuem a United States Postal Service (USPS). Os empresa, fundada em 1775, possui cerca de 630 mil funcionários e receita de cerca de US$ 71 bilhões no ano passado, sendo a única companhia de entregas a oferecer os serviços em todos os pontos do país, segundo dados da companhia.

Apesar de a discussão acerca da privatização da empresa já ter ocorrido em diversos momentos, a USPS mantém entre a missão corporativa o desejo de "permanecer uma parte integrante do governo dos Estados Unidos, fornecendo a todos os americanos acesso universal e aberto à nossa rede inigualável de entrega".

Assim como no Brasil, há diversas outras empresas no setor, como FedEx e United Parcel Service (UPS), por exemplo. Mas, o USPS detém o monopólio de alguns serviços, como o de cartas. Além disso, apenas a empresa estatal pode usar a caixa de correios nos EUA, enquanto as demais empresas precisam deixar as encomendas em outros locais.

No Brasil ocorre algo semelhante. Os Correios detêm monopólio, por lei, apenas de cartas pessoais e comerciais, cartões-postais, correspondências agrupadas, conhecidos como malotes. A concorrência, contudo, é liberada em setores mais atrativos, como o de entregas de encomendas, por exemplo.

Agora, o governo Trump está em rota de colisão com o USPS, dada a possibilidade de a empresa fornecer estrutura para que os cidadãos americanos votem à distância nas eleições para a presidência dos EUA, que ocorrerão em novembro deste ano, e, por isso, debatem os subsídios à USPS, que devem chegar a R$ 25 bilhões neste ano.

Mesmo com a polêmica, a USPS mantém uma aprovação alta no país. Uma pesquisa da consultoria Pew Research Center realizada neste ano mostrou que 91% dos americanos mantêm uma visão positiva da empresa.

"No caso dos EUA, ele é um caso que mostra que, apesar de ter propostas de privatização, há uma resistência muito grande, pois ela [a USPS] é muito bem avaliada pelos americanos, então politicamente é muito difícil passar [a proposta de privatização]", disse Ana Lúcia.

Canadá e Rússia: gigantes estatais
Outros dois países continentais, Canadá e Rússia também mantêm empresas do governo nesse setor.

No país da América do Norte, a companhia Canada Post possui exclusividade para coletar, enviar e entregar cartas aos destinatários do país. Já na Rússia, assim como no Brasil, a Russian Post tem como "São países muito grandes e com áreas de difícil acesso, difícil de fazer o controle dessa entrega em regiões longínquas. Talvez seja essa a explicação de manter um serviço público. E em países ricos, menores, o setor privado consegue fazer a alocação de recursos e dar lucro com um pouco mais de facilidade", afirmou a professora.

Argentina, Portugal e Alemanha privatizaram
Se os maiores países do mundo optam por permanecer com empresas de correios estatais, outros países, menores em extensão territorial, entregaram suas empresas à iniciativa privada.

Talvez o caso mais bem-sucedido tenha sido o da Alemanha. O país privatizou o serviço por partes, começando em 1989. O Deutsche Bundespost foi dividido em outras três empresas, de economia mista, mas com maior participação e controle estatal.

A Alemanha manteve benefícios fiscais e subsídios durante cerca de 15 anos, e só em 2005 é que investidores obtiveram o controle da empresa, que hoje se chama DHL.

Na Argentina, a Encontesa (Empresa Nacional de Correios e Telégrafos S.A.) foi privatizada em 1997. A companhia que adquiriu a empresa à época pertencia a família de Maurício Macri, que viria a se tornar presidente do país anos depois.

Como a empresa compradora deixou de pagar o Estado pela compra, a empresa voltou a ter o controle estatal em 2003. Após escândalos de corrupção envolvendo a empresa privada, a Encontesa passa por uma crise e, agora, se vê em um imbróglio judicial com os ex-controladores.

Portugal privatizou os Correios de Portugal (CTT), que era uma empresa lucrativa, entre 2013 e 2014, por cerca de 909,2 milhões de euros.

A agência reguladora do país, responsável por medir o nível dos serviços prestados pela empresa privada, porém, já acionou mecanismos de compensação dada a má qualidade do serviço prestado pelo CTT.

Alguns parlamentares e centrais sindicais já discutem a possibilidade de o Estado voltar a ter o controle da empresa.

Correios, patrimônio do Brasil e dos trabalhadores

Correios do Brasil
10/09/2020


Empresa tem mais de 300 anos no território brasileiro, sendo os últimos 50 como empresa pública

O Brasil vive hoje o maior ataque aos trabalhadores e aos direitos sociais da sua história, retroagindo a condições pré-revolução da década de 1840 na Europa.

As Reformas Trabalhista de 2017, seguida pela da Previdência, levaram a massa dos trabalhadores brasileiros a uma perda significativa e profunda de sua qualidade de vida, com consequências drásticas na idade e no valor de todos os benefícios, inclusive a aposentadoria.

O poder econômico, se apoderando das instituições de Estado, não mede esforços para se apropriar cada vez da mão de obra da classe trabalhadora e do patrimônio publico do povo brasileiro. O objetivo do mercado é o lucro, nem que isto custe a inexistência de serviços em lugares não lucrativos e o achatamento de direitos, sob um falso mante de flexibilização.

E a nova bola da vez é a Empresa Brasileira de Correios de Telégrafos e seus 100 mil colaboradores. A ECT atua há mais de 300 anos no território brasileiro, sendo os últimos 50 como empresa pública, e, atualmente, a única com capilaridade para fornecer serviços públicos em 5570 municípios, atingindo os rincões mais distantes e menos interessante do ponto de vista de rentabilidade de mercado.

Os Correios são a maior empresa de logística do Brasil, com faturamento anual acima de
R$ 19 bilhões e lucro acumulado nos últimos 20 anos de mais de R$ 15 bilhões. Em 2018 e 2019 o lucro foi acima de R$ 100 milhões, por ano.

No primeiro semestre deste ano, a empresa, considerada essencial por decreto e para o enfrentamento da pandemia, foi responsável pela manutenção das entregas com segurança, viabilizando o negócio de milhares de empresas e protegendo milhões de brasileiros. O faturamento e o lucro cresceram, atingindo R$ 614 milhões de janeiro a
junho, tudo isso às custas da vida de mais de uma centena de trabalhadores mortos pela COVID-19.

Entretanto, o atual governo, com o objetivo de asfixiar os trabalhadores para depois entregar a maior e mais importante empresa nacional aos grupos econômicos, bem ao estilo Paulo Guedes, por “preço de banana”, quer reduzir a remuneração dos trabalhadores de 30 a 40%, sem sequer aceitar qualquer tipo de negociação.

A proposta dos trabalhadores foi para simplesmente manter o salário que recebem sem sequer o corrigir pela inflação, cuja média dos carteiros é na faixa dos R$ 2 mil reais e vinculados ao INSS como todos os demais da iniciativa privada.Acontece, no entanto, que o governo, ao negar a manutenção dos direitos e se negar a negociar, mesmo com a participação do TST, obriga os trabalhadores a fazer greve para evitar a supressão de mais de 35 anos de direitos.

Outro ponto da reivindicação da categoria é a garantia de condições mínimas de saúde e proteção no ambiente de trabalho para o combate à COVID-19, ressaltando que a categoria não parou um dia sequer desde o início da pandemia.

A conduta de ataque aos trabalhadores não é exclusiva da categoria de correios, mas um fenômeno observado a todos os empregados públicos e privados, imputando-lhes uma ideia de privilégios e excesso de benefícios, o que não é a verdade da grande maioria dos casos.

Assim, parafraseando Bertold Brecht, a classe trabalhadora deve unir-se antes que quando batam à porta de sua categoria não haja mais quem possa lhe defender, pois a luta dos trabalhadores neste momento não é só daqueles vinculados a ECT, mas sim de todos os funcionários públicos e privados, uma vez que o ataque atual é coordenado pelo poder econômico em detrimento da grande massa da classe trabalhadora. Por Ricardo Sobral, Advogado do Sindicato de Trabalhadores de Correios de Ribeirão Preto e Região, mestre em direito, doutor em administração, pós-doutorando em administração FEARP-USP e professor de pós-graduação.

LGPD não vai ter impacto no ecommerce, aposta Fred Trajano

Estadão
09/09/2020

“Muita gente critica os Correios, mas eles ainda são muito necessários”, afirma presidente do Magazine Luiza, Fred Trajano, disse que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não deve interferir no e-commerce brasileiro. Para ele, deve haver um período de adaptação para aderir a todos os requisitos, mas isso não deve ter impacto nos resultados do setor. “LGPD não vai ter impacto no e-commerce.

Deve haver um pouquinho de dor de cabeça para aderir apenas”.

O CEO defendeu, na transmissão ao vivo promovida pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que os Correios ainda têm uma atuação importante no segmento. No Magazine Luiza, essa modalidade de entrega representa cerca de 10% do total. “É mais importante para o Parceiro Magalu em razão da sua capilaridade”, afirma.

Logística e Correios
Trajano pontua que há rotas no país que não são feitas por outros operadores de logística. “Muita gente critica os Correios, mas eles ainda são muito necessários”, afirma. Para ele, as greves de funcionários da empresa não influenciam negativamente o e-commerce. “Temos sempre, e o serviço sempre volta”, diz.

Trajano comentou ainda, a pedido do presidente da Springs Global, Josué Gomes da Silva, sobre os produtos têxteis fabricados na China e que são comprados virtualmente no Brasil, o que se chama de cross border. “Cross border é tendência irrevogável. Há benefício fiscal que acho alto, de até US$ 50”, afirma.

Em sua visão, esses produtos importados chegam muito competitivos à indústria local, o
que não seria justo.

Presidente dos Correios diz que estudos sobre privatização trazem avanços

Exame
10/09/2020

Para a empresa, amarras legais das estatais prejudicam a competitividade

Em entrevista exclusiva à EXAME, o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, comenta a percepção da população em relação à greve dos trabalhadores da companhia, que já dura três semanas, e o resultado da pesquisa Exame/IDEIA sobre a privatização da estatal. O levamento é fruto de um projeto que une Exame Research, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. A pesquisa mostra que 40% dos brasileiros apoiam a desestatização dos Correios, enquanto a maioria se diz contrária à venda da Petrobras e da Caixa Econômica. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista. 

A última pesquisa Exame/IDEIA mostra que uma boa parcela dos brasileiros é favorável à privatização dos Correios. A que se deve esse fato?

Ao longo de anos, a empresa foi prejudicada por sucessivas gestões incapazes de conduzi-la de maneira adequada. Isso, somado às sucessivas greves, trouxe impactos negativos em vários aspectos para os Correios. O principal deles se refere à saúde financeira e à capacidade de investimentos da empresa, o que a impossibilitou acompanhar com a devida agilidade as transformações do mercado e novas exigências dos clientes.

Isso afeta a percepção da população sobre a qualidade do serviço?

Sim, esse descompasso se reflete na percepção da sociedade quanto à eficiência dos Correios, sendo esse quadro agravado, ainda, pela entrada de novos players no mercado de encomendas. A atual gestão, alinhada ao Ministério das Comunicações e ao Ministério da Economia, trabalha com transparência e busca aplicar as melhores práticas de administração e governança na estatal. Seu objetivo é acelerar o processo de recuperação da empresa e restabelecer seu equilíbrio financeiro.

Fatores como greves (a última já dura três semanas) também interferem na opinião dos brasileiros sobre o serviço prestado pelos Correios?

A adesão à greve é baixa, pois a maior parte dos empregados compreende a gravidade da situação da empresa e do país. Entretanto, ainda que modesta, qualquer paralisação prejudica a percepção da população em relação à empresa. Essa situação dificulta o processo de recuperação dos Correios, prejudicando, ainda, as entregas de insumos básicos de saúde que são indispensáveis nesse momento de pandemia. Soma-se a esse quadro a considerável defasagem no contingente da empresa, pois há um grande número de empregados em isolamento desde março, quando a medida foi adotada para protegê-los. Com efeito, há uma sobrecarga ainda maior sobre aqueles que não aderiram à greve.

A empresa também enfrenta dificuldades econômicas?

É importante lembrar que, assim como suas equivalentes em outros países, a empresa enfrenta a queda da receita referente às mensagens e correspondências. Com a paralisação, perde também uma parcela dos ganhos com encomendas, uma vez que clientes e empresas, por receio de atrasos, optam por outras empresas de entrega.

Como a estatal se posiciona em relação à hipótese de privatização da companhia?

A desestatização de qualquer empresa pública exige estudos complexos e minuciosos que abrangem várias áreas. No caso do setor postal brasileiro, esses estudos já estão em andamento no âmbito do governo federal. A partir deles serão decididas as melhores estratégias para modernizar e tornar mais competitivo e eficiente o serviço postal do Brasil.

É fato, todavia, que a transformação da cultura de consumo global aponta para a urgência da necessidade de adaptação e inovação. Nesse contexto, as amarras da legislação para empresas estatais acabam por prejudicar a competitividade necessária ao bom desempenho das atividades dos Correios. É preciso, portanto, adotar mecanismos que permitam à empresa competir em pé de igualdade com as demais, que se reinventam sempre no ritmo do mercado. Certamente os estudos em curso trarão soluções para tornar os Correios mais ágeis e, consequentemente, qualificados a prestar um melhor serviço ao cidadão. 


 

Direção Nacional da ADCAP.

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