sexta-feira, 19 de junho de 2026

Audiência pública na Cãmara dos Deputados conclui:16 Anos de Espera e uma Conta Invisível - O Preço da Impunidade do BNY Mellon para os Trabalhadores e Aposentados do Postalis


A audiência pública da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, realizada na última quarta-feira, 17/06/2026, não foi apenas mais um debate legislativo na nossa longa jornada de lutas. Ela foi o eco da indignação e do sofrimento de milhares de famílias de trabalhadores e aposentados dos Correios, milhares representados pela Associação dos Profissionais dos Correios - ADCAP.

Houve total convergência entre as conclusões de todas as instituições que se manifestaram na audiência pública: Tribunal de Contas da União, com diversos processos e julgamentos condenando o BNY; Postalis, com diversas ações tramitando no judiciário, de igual modo, contra o BNY; A Previc, com diversos processos condenando o BNY e  a ADCAP, com ações, no Brasil e nos EUA, e inúmeras manifestações denunciando o BNY MELLON.

 Para quem observa de fora, o rombo bilionário do Postalis pode parecer apenas uma cifra abstrata em meio aos noticiários econômicos. Mas para nós, participantes, assistidos e pensionistas, esse desastre financeiro tem um peso real e cruel que se traduz, todos os meses, em um corte drástico nos contracheques de quem deveria estar desfrutando de uma aposentadoria digna. 

A dura realidade que enfrentamos decorre, em grande proporção, das ações e omissões do banco BNY Mellon. Durante mais de uma década, a instituição atuou como gestora, exclusiva, e garantidora de aplicações do fundo. O resultado dessa gestão foi uma verdadeira devastação patrimonial: dezenas de "investimentos" feitos sem qualquer viabilidade econômica, injetados em empresas e bancos que quebraram, como o Banco BVA, Banco Cruzeiro do Sul, OAS e UTC. Para ocultar o rastro do prejuízo e dificultar auditorias, o banco arquitetou uma complexa teia de fundos de fundos. Uma estrutura deliberadamente desenhada sem garantias executáveis, que pulverizou a poupança de uma vida inteira de quem dedicou seus melhores anos à estatal. 

A engenharia financeira usada pelo BNY Mellon nos remete imediatamente a escândalos financeiros mais recentes e candentes, como o caso do Banco Master. Embora as arquiteturas difiram — no Master, utilizou-se as garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para alavancagem, enquanto no BNY a estratégia foi o emaranhado de fundos sem lastro —, o modus operandi de lesar investidores e o desfecho final são exatamente idênticos: a destruição de patrimônio alheio. É um golpe que se repete, mudando apenas os personagens e a blindagem jurídica dos operadores.

Para o participante do Postalis, no entanto, a conta dessa teia já chegou. Há anos nossa categoria sofre na pele as consequências diretas de planos de equacionamento agressivos. Os assistidos estão obrigados a arcar com uma cobrança de contribuição extraordinária de 23,21%, imposta de modo vitalício. Como se não bastasse, houve uma redução de 75% no 13º salário, a eliminação do pecúlio por morte e o corte de 50% nas pensões destinadas a viúvos e viúvas. Mais de 10 mil colegas, asfixiados financeiramente, já se desligaram do plano simplesmente por não terem mais condições econômicas de permanência. Nossos trabalhadores estão pagando por um erro que não cometeram, enquanto assistem à iminência de novos aumentos nos descontos para cobrir outros déficits que já se configuraram no horizonte. 

O aspecto mais cruel desta história é o fator tempo. A discussão arrasta-se há longos 16 anos. O Ministério Público Federal (MPF) estima o montante dos prejuízos na casa dos R$ 8 bilhões. O Tribunal de Contas da União (TCU) já condenou o BNY Mellon a ressarcir mais de R$ 1 bilhão, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também aplicou multas milionárias. Há farta comprovação de negligência, gestão temerária e conflito de interesses reunida desde a CPI dos Fundos de Pensão em 2016, na qual o BNY foi apontado como responsável por mais de R$ 4 bilhões em prejuízos diretos ao fundo. No entanto, até hoje, nenhum centavo foi efetivamente recuperado para o patrimônio dos servidores. 

A letargia do Governo Federal e a lentidão dos órgãos de controle criam um cenário propício para que uma instituição financeira estrangeira fuja de suas responsabilidades legais e contratuais. Enquanto o banco ganha tempo com recursos e manobras jurídicas, o tempo dos nossos aposentados está se esgotando. É uma penalização dolorosa ver que mais de 1 milhão de cidadãos e familiares correm o risco real de chegarem ao final de suas vidas sem ver uma solução concreta, perdendo a dignidade e a esperança no país. 

Não podemos mais aceitar essa paralisia. A audiência na Câmara precisa ser o estopim para uma cobrança enérgica, coordenada e urgente. É fundamental que o Congresso Nacional se mobilize e nos ajude nessa luta e interceda junto aos Correios, Postalis, AGU, TCU, Ministério das Comunicações, Poder Judiciário, Relações Exteriores e Banco Central. Cada um desses órgãos deve adotar providências imediatas para que o BNY Mellon devolva os valores geridos de modo criminoso. Proteger o Postalis não é uma questão corporativa; é devolver a subsistência e o direito ao descanso justo de milhares de pais e mães de família que foram covardemente lesados e preservar o patrimônio público da empresa de Correios – ou seja, há interesse público nessa solução.


📍 Assista a audiência na íntegra aqui ➡️ : https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/82434?a=584063&t=1781729742713&trechosOrador=



Direção Nacional da ADCAP.

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